Fic: Esperando você

 

Classificação: +16Imagem

 

Categorias: Dragon Ball Z 
Personagens: Bulma, Vegeta
Gêneros: Drama, Romance, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria

Nos anos 80, Vegeta sofre a ausência de seu grande amor enquanto segue sua vida de rock star em sou mais longo “World tour”. 

Fic Universo alternativo postada originalmente no projeto “Melody’s Briefs”.

 

***

Notas iniciais do capítulo

Dragon Ball não me pertence.

A one-shot que escrevi acontece em um universo alternativo e se passa na década de 1980. Nela, Vegeta e Bulma não vivem no universo criado por Akira, são seres humanos normais, bem, são quase normais, exceto pelo fato de que Vegeta é um rock star e está vivendo um drama por perder o grande amor da sua vida.

A ideia da Fic foi baseada na letra e no clipe da música “Right Here Waiting” de Richard Marx. Até a personalidade de Vegeta está um pouco mudada, já que ele aqui foi baseado no próprio Richard Marx. 

 

ESPERANDO VOCÊ

Por Lady Rivers

“Se vejo você como uma impossibilidade,

Como podemos dizer que é para sempre?

Aonde quer que você vá,

O que quer que você faça,

Estarei bem aqui esperando por você.

Seja lá o que for necessário,

Ou como meu coração fique partido,

Estarei bem aqui esperando por você”

Rigth here waiting, Richard Marx

Bip. Bip. Bip.

Aqueles alarmes pareciam vir de muito longe, e ao mesmo tempo estavam assustadoramente muito perto. Perto demais.

Bip. Bip. Bip.

As pálpebras tentaram um tímido movimento. Abriram-se pouco mais que um milímetro e fecharam-se tão rápido quanto abriram, cegas pela claridade da luz branca que estava por toda parte. Uma sensação de sufocamento tomava-lhe os pulmões, era como se estivessem sendo comprimidos. O peito apertado.

Bip. Bip. Bip.

Assim como veio, a força parecia ser-lhe sugada novamente.

Bip. Bip. Bip.

O sufocamento. O aperto no peito aumentando… e o mergulho novamente na escuridão.

***

Vegeta acordou sobressaltado. Gotas de suor banhavam-lhe a face. O mesmo sonho, outra vez. E novamente, cada vez mais real, cada vez mais físico. Quase palpável.

Estava novamente no quarto escuro do hotel, qual hotel, de qual cidade? Isso ele não lembrava aquela hora da noite. Apenas a claridade de um letreiro em neon do prédio em frente entrava pela janela, tingindo com raios roxos o atordoamento e a aflição que tomavam-lhe o peito.

Pegou o vidro amarelo na mesa de cabeceira, abriu de qualquer jeito e tomou-lhe três cápsulas de uma vez. Tomou também de uma vez o copo d’agua que tinha ali perto. Caiu de volta na cama. Aquilo o faria dormir. Dessa vez sem sonhar.

***

– Vegeta, já chegamos!

Vegeta ouviu uma voz conhecida lhe despertar quando os fones de ouvido foram-lhe arrancados de forma brusca, acordando-o. A luz branca ainda nem tinha saído de seus olhos, tinha tido o mesmo sonho outra vez.

– Kakkarotto, não enche! – Vegeta disse de forma bruta ao amigo que estava sentado na poltrona ao seu lado no avião.

– É que já chegamos, cara. – Kakkarotto falou brandamente. – Vamos pousar a qualquer momento. Você tem que colocar o cinto de segurança.

– O cinto que se foda! – Vegeta disse sem se importar abrindo a portinhola branca da janela e observando que já sobrevoavam a cidade de Chicago. Já era dia. Uma morna manhã de 1° de julho.

– Vai estar quente lá fora… – Kakkarotto disse ao colocar o corpo atravessando Vegeta e também apreciar a vista. – Que pena que tocaremos em um lugar fechado.

– Sai de cima de mim, imbecil! – Vegeta ralhou empurrando Kakkarotto de volta para seu lugar.

– Deveríamos ter iniciado o World Tour por outra cidade. – Kakkarotto disse sem se importar, voltando ao seu lugar enquanto afivelava seu cinto de segurança. – Preferia vir a Chicago em Dezembro. Essa cidade é deslumbrante no Natal.

– Não. – Vegeta cortou sem ao menos se importar com o cinto. – Deveríamo ter começado por aqui. Por que foi aqui que tudo começou.

Dizendo isso, Vegeta olhou novamente pela janela. Seus pensamentos voaram para uma Chicago de 10 anos atrás. Era 1977, ele tinha apenas 18 anos e era Natal quando topou com Bulma pela primeira vez.

***

Flashback on:

– Ei, rapaz, você não pode passar por aqui sem uma passagem!

A voz estridente foi o que lhe chamou atenção para olhar o guichê na passagem para a plataforma do metrô, e ao olhar, Vegeta a viu pela primeira vez. Ele registrou olhos azuis zangados e emoldurados por um belo rosto, fios de um cabelo também azul saíam pra fora do gorro de lã e Vegeta viu uma bela garota escondida sob algumas camadas de tecido. Nevava naquela manhã em Chicago.

– Está ouvindo Kakkarotto? – disse zombeteiro aproximando-se do guichê e encarando a bilheteira. – Precisamos de ficha….

A jovem de cabelos azuis emperdigou-se com o olhar que encarou-lhe, o olhar do rapaz moreno e debochado do outro lado do vidro do guichê.

– É. Precisam. – a moça respondeu resolutiva depois de um momento.

– Você não sabe quem nós somos? – Vegeta disse ao apontar o polegar na direção dos outros três caras cabeludos que o acompanhavam. Bulma viu quatro caras de cabelo engraçado, jeans rasgado sob os casacos, garrafas de whisky embaixo dos braços e algumas dezenas de brincos e tatuagens.

– Não, eu não sei quem os senhores são. – Bulma replicou já irritada mesmo achando-os familiares. – Nem de que circo vieram… então vão tratando de pagar as fichas e sumir daqui.

Vegeta sentiu-se ultrajado com o último comentário da moça. Como assim ela não os conhecia?

– Libere essa catraca, sua menininha petulante… – recomeçou irritado, não acreditava na petulância daquele menina.

– Não, não libero. Seu rapazinho arrogante. – ela retorquiu irredutível encarando-o devolta. – Pague as fichas ou dê o fora daqui. Hoje é natal e eu estou trabalhando, não tenho a mínima paciência de aturar arruaceiros no meu guichê. – completou empinando o nariz.

– Se está trabalhando no natal, é por que não tem ninguém lhe esperando em casa,loser. Aproveite seu natal. – Dizendo isso, Vegeta pulou a catraca e passou para a plataforma no mesmo momento em que o metrô vinha se aproximando. Outros dois dos que estavam com ele fizeram a mesma coisa.

– Espere aí! – Bulma bufou furiosa ao vê-los passar.

– Aqui, 4 fichas. – disse uma voz amena e Bulma viu uma mão bronzeada atravessar o guichê. Ela levantou o olhar e viu um dos rapazes que estavam com o garoto arrogante, tinha o olhar bondoso. – Desculpe-me por eles. É que Vegeta sempre fica irritado em Chicago, e ele sempre fica irritado no natal.

– É melhor ele aprender que não é o dono do mundo. – Bulma disse sem desgrudar os olhos do rapaz de cabelos pretos que agora entrava no metrô e dava-lhe uma última piscadela. – Vá logo ou perde o trem.

– Obrigada. – Kakkarotto lançou-lhe um olhar antes de passar pela catraca. – E feliz natal!

Ainda irritada, Bulma viu o metrô sair. Pegou as 4 fichas e um cartão que foi entregue junto com elas.

Ela devia ter estado louca quando aceitou trabalhar no natal. Mas, afinal, ela não tinha ninguém lhe esperando em casa mesmo.

Flashback off

***

O aeroporto estava frio apesar do dia morno lá fora, obra da refrigeração central daquele lugar. Vegeta odiava aeroportos, mas tinha que aturá-los, faziam parte de sua rotina diária.

Já na sala de desembarque, ele pôde ver as fãs que se espremiam contra as paredes de vidro gritando por ele, traziam faixas e cartazes que ele apenas olhava de relance.

– Você está bem? – Kakkarotto perguntou quando viu o amigo, mesmo por trás dos óculos escurosnew wave, ele sempre sabia como o amigo estava se sentindo.

– Apenas quero fazer logo isso, sair logo daqui. – Vegeta disse quando os seguranças já o conduziam por um corredor especial. – Antes, claro, preciso fazer uma coisa, – ele disse após ver uma cabine telefônica no corredor do aeroporto.

Desvencilhando-se dos seguranças que teriam de esperá-lo, Vegeta entrou na cabine telefônica e clicou um número há muito conhecido. Quando escutou atenderem do outro lado, já foi falando:

– Alguma notícia nova?

– Não senhor. – uma voz sóbria respondeu do outro lado da linha. – O senhor sabe que se tivermos alguma coisa nova, entraremos em contato.

Vegeta não esperou outra resposta. Bateu o telefone com força.

Kakkarotto o esperava do lado de fora da cabine.

– Vegeta, não adianta cara. Quando e se tiverem alguma coisa, vão te avisar.

– Cala a boca, Kakkarotto. – Vegeta disse brusco ao passar pelo amigo.

Na limusine que os levava para o hotel minutos depois, Vegeta observava a tão conhecida cidade lá fora. O show seria a noite. Isso significava que ele tinha um dia inteiro pra ficar no quarto do hotel.

E esperar.

***

Era noite no Memorial Coliseum e fazia 24°C de acordo com os termômetros lá fora. Uma noite anormalmente fria para aquela época do ano. O frio sempre perseguia Vegeta.

Faltava poucos minutos para entrarem no palco. Vegeta podia ouvir o estardalhaço abafado da multidão lá fora. Era hora de entrar.

– Pronto pra entrar, parceiro? – Kakkarotto indagou animado dando um tapinha nas costas de Vegeta e acordando-o do torpor em que ele se encontrava. – É hora de começar.The show must go on.– Kakkarotto disse firme, passando na frente com sua guitarra.

Vegeta deu alguns passos automaticamente. Quando chegou lá fora viu o ginásio lotado e a multidão que o ovacionava. Como naquela noite.

Igualzinho aquela noite há dez anos atrás.

***

Flahback on:

Duas horas de show e a plateia pedia mais.

Eles sempre pediam mais, sempre pediam bis e Vegeta estava pronto para dar-lhes o que queriam. O rapaz sentia-se um deus no palco e ele sabia comandar as multidões, bastava um simples acenar e o mar de braços surgia em sua frente, ao seu comando. Era natal e as luzes vermelhas deixavam o cenário ainda mais mágico.

Vegeta nem sentiu o tempo de show acabar, quando correu para o camarim, ainda estava elétrico.

Quando chegou no pequeno local atrás do palco, recebeu imediatamente uma toalha que foi colocada em sua mão por alguém da equipe de apoio. Secou o suor que lhe escorria na face e aproximou-se de onde os colegas de banda já bebiam e recebiam as fãs que foram especialmente escolhidas para estarem no camarim. Vegeta sempre era o último a deixar os palcos e frequentemente acusava os colegas de terem tomado as garotas mais bonitas quando ele chegava ao camarim.

Mas isso não importava, quando queria, ele sempre as tomava deles.

O vocalista olhou em volta e procurou achar a fã sortuda que ficaria com ele aquela noite. Olhou desapercebidamente até chegar em Kakkarotto.

Foi aí que ele viu a garota linda com quem o amigo conversava.

Vegeta escolheu-a imediatamente quando viu os cabelos azuis presos em um rabo-de-cavalo meio dessarumado, embora isso não tivesse chamado atenção dele como chamaram os seios e as curvas da garota.

Não perdeu tempo para se aproximar.

– Ei, gata. Deixe esse perdedor e venha conhecer o melhor membro dessa banda. – Vegeta disse aproximando-se do dois sem reconhecer a garota. Foi só quando viu aqueles olhos azuis lhe olhando zangados que ele lembrou. – Hey, Kakkarotto, mas se não é a bilheteira? – disse irônico.

– Vegeta, essa é Bulma. – Kakkarotto tratou de apresentar a garota. – Vocês se viram hoje pela manhã…

– E estamos tendo o desprazer de nos vermos novamente… – Bulma completou olhando o músico que a olhava com ar esnobe.

– Foi você quem veio a meu show. – Vegeta retrucou sarcástico. – E o que faz aqui, garota? Pensei que nem soubesse quem nós somos… – desdenhou. – Ou sabia?

– Eu não sabia. – Bulma respondeu prontamente. – Não até eu ligar para Kakkarotto e ele me contar.

– Não vai me dizer que você pegou o número da banda…

– Kakkarotto me deu o número. No guichê metrô. – Ela explicou sem jeito.

Vegeta olhou irritado para Kakkarotto que ficou meio sem jeito.

– É verdade, eu a convidei para vir aqui. – Kakkarotto respondeu meio receoso.

– Hum… – Vegeta resmungou com um sorriso meio safado, embora não tivesse totalmente feliz pelo amigo ter se interessado pela garota. – Espero que se divirta muito, Kakkarotto. Sei que vai… – disse dando um olhar provocativo para Bulma, antes de se afastar dos dois.

Meio desgostoso, Vegeta foi até o bar e pegou uma garrafa de conhaque.

Kakkarotto voltou a conversar animadamente com a garota de cabelo azul e Vegeta pouco deu atenção as fãs, por que olhava quase continuamente para o casal, alguma coisa naquela garota o incomodara, e o interessara também. A festa pós-show continuaria ali mesmo, pois a comitiva só poderia voltar para o hotel quando o trânsito diminuísse, quando as pessoas que tinham ido assisti ao show do Sayan Blood tivessem desafogado as avenidas de acesso ao Memorial Coliseu e já estivessem em casa.

Lá pelas tantas da madrugada, já meio alto, Vegeta resolveu voltar ao palco, onde a equipe de apoio agora desmontava a parafernalha da banda naquele momento.

Colocou sua garrafa de conhaque sobre um piano de cauda que estava no meio do palco e que ele usara em sua última música no show. Olhou para o ginásio vazio e semi-iluminado. Uma grande solidão quase lhe engoliu naquele momento.

Devagar, sentou-se ao piano e começou a dedilhar as teclas. Logo estava tocando uma triste canção natalina romântica.

“… Wherever you go…

Whatever you do…

…I will be right here waiting for you.”

Olhava as arquibancadas vazias enquanto tocava, totalmente imerso na melodia que ressoava no ambiente. Não percebeu quando mais alguém adentrou o palco e passou a prestar atenção nele. Só quando terminou de tocar, percebeu que o ginásio não estava tão vazio.

– Não sabia que tinham músicas tão lindas… – Bulma disse quando Vegeta a viu próximo ao piano quando parou de tocar.

– Não é minha… – eles respondeu calmamente, sem entender o que ela fazia ali, – apenas gosto dela.

– É uma bela canção… combina com o natal… combina com essa noite… – disse séria e deixou Vegeta desconcertado.

– O que faz aqui? – ele perguntou tentando esconder seu desconcerto. – Não estava com Kakkarotto?

– Estava. – ela respondeu brandamente. – Mas ele foi roubado por uma fã maluca. Por isso vim aqui, queria saber como é a visão do lado do palco… Não sabia que havia alguém tocando… – explicou-se.

– A vista não é tão má. – Vegeta desdenhou olhando os milhares de lugares vazios.

– Sua visão no trabalho é melhor que a minha, – Bulma continuou sentindo-se menos desconfortável. – Eu apenas tenho trilhos e trem para olhar, você tem uma multidão.

– Eu nunca tinha pensado nisso, – ele pegou-se pensando alto.

Ficaram em silêncio depois disso, um silêncio constrangedor.

– É, tenho que ir… – Bulma disse depois de um momento.

– E pra onde você vai? – Vegeta perguntou levantando-se e aproximando-se de Bulma que estava agora ao lado da bateria.

– Casa. – disse um tanto constrangida. – Não tenho ninguém esperando, como você mesmo disse mais cedo, mas preciso ir. – falou um pouco amarga.

– E você queria ter por quem voltar? – Vegetar indagou em um tom enigmático enquanto aproximava-se mais dela.

– Isso não é da sua conta. – Bulma respondeu meio irritada com a aproximação dele.

– Já vai se irritar? Você não gostou mesmo de mim. – Vegeta disse provocativo aproximando-se mais de Bulma que esgueirou-se um pouco para trás.

– Não, não gostei. – ela falou olhando-o. Engoliu em seco.

– E por que não gostou? – ele disse provocativo, agora ainda mais perto.

– Por que você é arrogante, prepotente e esnobe. – disse mais nervosa, seu nariz quase se tocando ao de Vegeta.

– Mais alguma coisa? – ele perguntou mais perto, olhando-a nos olhos.

– Toca músicas lindas. – Bulma disse antes dos dois beijarem-se convulsivamente.

Flahsback off

***

Ele odiava essas entrevistas, sempre odiou. Coletivas de imprensa era algo que Vegeta não gostava de enfrentar desde sempre e nos últimos meses elas passaram a ser insuportavelmente piores. Mas como tinham um disco novo e uma turnê mundial na estrada, ele precisava continuar, precisava participar daquilo.

A sala de entrevista era um pequeno espaço reservado no hotel japonês onde a banda estava hospedada. Sayan Blood era uma banda muita querida pelos japoneses e Vegeta prezava muito os fãs que tinham naquelas terras. Ele não tinha problema com os japoneses, o problema era que não era apenas a discreta imprensa japonesa que estaria ali, era a esmagadora e nada amigável imprensa mundial.

Kakkarotto vinha respondendo algumas perguntas com sua desenvoltura natural assim como Raditz e Turles. Vegeta estava calado, na esperança que não chegassem nele, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde alguma pergunta seria dirigida a sua pessoa. E essa pergunta não demorou a ser feita.

– Sr. Vegeta, como está sendo enfrentar essa nova turnê após tão poucos meses da morte de sua esposa? – uma repórter americana de cabelos loiros indagou.

– Já disse milhões de vezes que Bulma não está morta, sua mulherzinha petulante. – o músico respondeu um tanto irritado.

– Mas Sr. Vegeta, praticamente ninguém sobreviveu na área do terremoto… e já fazem meses… – outro repórter insistiu.

– Escute aqui, – Vegeta continuou exaltado. – Não encontraram o corpo dela. Vasculharam toda aquela joça e não encontraram o corpo dela, seu inútil! Tem centenas de desaparecidos por aí. Ela é um deles!

– Sr. Vegeta, mas autoridades pedem para que não se tenham mais esperanças… – indagou a mesma repórter que perguntara inicialmente. – Acha saldável continuar a nutrir esses sentimentos? E seus filhos, isso só não aumenta o sofrimento deles?

– CALA-SE, SUA VAGABUNDA! – Vegeta gritou levantando-se bruscamente e deixando o lugar sem niguém ter coragem de interrompê-lo.

A entrevista coletiva estava terminada.

***

Foi apenas a devoção dos fãs japoneses que deu coragem para Vegeta fazer e terminar aquele show. Surpreendemente, o palco não lhe fazia mal. Muito pelo contrário, era o único lugar onde atualmente ele se sentia vivo. Respeitava seus fãs e sentia que a força deles é que lhe mantinha de pé. Ele tentava uma alegria forçada em todas as sessões de autógrafos, encontros e shows.

Parte de seu cotidiano era fingir.

Após o show japonês, enquanto a festa pós-show acontecia na suíte vizinha, Vegeta encontrava-se em uma poltrona no quarto escuro do hotel, apenas a luz da TV ligada iluminando o ambiente, os sons que vinham da festa ao lado eram abafados pelo walkman que tocava sua música favorita.

“Oceans apart day after day,

And I slowly go insane…

I hear your voice on the line,

But it doesn’t stop the pain”

Adormeceu antes da música terminar.

***

Dor.

Tudo que podia sentir era dor. Uma dor sufocante, uma dor pungente como se cada nervo estivesse pulsando.

Tudo era dor.

Os olhos cerrados, a voz não saía. Não conseguia liberar seu grito.

Bip. Bip. Bip.

– Agitação. O que faremos? – alguém perguntou rapidamente.

– Pode sedar novamente. – uma voz firme respondeu.

Em segundos, a dor sumiu. E a consciência também.

***

Era dezembro e oWorld Tour havia chegado à Europa.

Estava gelado em Estocolmo quando chegaram, mas o coração de Vegeta estava aquecido. Após meses longe, uma parte de tudo que ele mais amava o esperava no hall de entrada do hotel.

– Papai! – o garoto de sete anos falou alegremente quando o viu chegar. Ao lado dele, uma pequenina menina de dois anos e cabelos azuis sorriu ao ver o homem aproximando-se.

Um sorriso que iluminava e exorcizava qualquer demônio que estivesse possuindo o coração de Vegeta.

O vocalista sentiu-se abraçado na cintura pelo menino e sentiu a pequenina garota abraçar-lhe as penas. Havia quase um ano que Vegeta não via os filhos que estavam morando com os avós. Os senhores Briefs olharam bondosamente para o genro. Nunca haviam gostado muito de Vegeta, mas já haviam admitido há muito tempo que fora por causa do genro que Bulma havia se reaproximado dos pais.

E Vegeta, que ficara irritado com Kakkarotto quando o amigo disse-lhe que tinha convidado os Briefs para trazer as crianças ao hotel, agora ficara secretamente grato ao amigo, pois não teria coragem de enfrentar os filhos de outra maneira.

Isso por que, depois que Bulma desaparecera no terremoto, ele não tinha tido coragem de encarar os filhos.

Olhar Trunks e Bra era lembrar dela, e ele achou todo esse tempo que isso seria um coisa ruim, mas naquele momento, percebeu que não era.

Ver Bulma em seus filhos era a melhor coisa que podia ter lhe acontecido.

***

– Papai, mamãe vai voltar? – Trunks fez a temida pergunta no final daquela tarde enquanto ambos olhavam Bra puxar os enfeites da árvore de natal do hotel.

Vegeta ponderou por alguns instantes entre a resposta que queria dar e a resposta que devia dar. Temeu aquele momento por muito tempo, contudo, agora que o momento chegara, a resposta saiu naturalmente.

– Eu não sei, Trunks. Mas continuaremos esperando por ela.

O menino acenou a cabeça em entendimento. Eles continuariam esperando e era isso que importava.

Então, naquele momento, Bra deixou uma pequena bola de cristal da árvore cair no chão. A bola caiu transformando-se em mil pedacinhos dourados.

Aquela imagem remeteu Vegeta há uma cena de um ano atrás, a imagem do último dia de felicidade que tivera.

Flashback on

– Eu não sei pra que tanto trabalho… é só uma árvore… – Vegeta resmungou como fazia todo ano enquanto ajudava Bulma a arrumar a grande árvore de natal na sala de casa. Trunks abria as embalagens de enfeites enquanto Bra enrolava-se em um festão dourado.

– É a nossa árvore, Vegeta. – Bulma disse sem se abalar. – E sei que você gosta tanto dela quanto eu. Me dê aquela estrela por favor…

Vegeta pegou a grande estrela dourada da caixa e entregou para Bulma que estava em uma pequena escada colocando os enfeites vermelhos e dourados por toda a extensão da árvore. A mulher pegou a estrela e colocou no topo da árvore, finalizando o trabalho que passaram aquela tarde inteira fazendo.

– Ficou linda! – Bulma exclamou ao descer da escada e olhar seu trabalho concluído. – Trunks, feche as cortinas da sala,- ela pediu. – e Vegeta, acenda as luzes.

Trunks rapidamente puxou as grandes cortinas da sala deixando o ambiente escuro naquele fim de tarde. Vegeta ligou as luzes e imediatamente iluminando o ambiente com mil luzes multicoloridas. Trunks sorriu, Bra deu pulinhos de emoção e Bulma foi até Vegeta, abraçando-o enquanto olhava a árvore. Tudo parecia mágico.

Aquela noite, fizeram amor sobre o tapete da sala, iluminados apenas pelas luzes da árvore de natal.

– Você precisa realmente ir a São Francisco amanhã? – Vegeta perguntou enquanto sentia Bulma aninhar-se em seu peito. Ainda respiravam de forma entrecortada, o calor de seus corpos lhe protegiam do frio que fazia aquela noite.

– Tenho que ir, – Bulma disse enquanto olhava o reflexo das luzes multicoloridas no teto da sala. – Prometi que ajudaria a arrecadar fundos para as famílias vítimas do furacão. Não se preocupe, Vegeta. Ficarei bem. O que pode acontecer de pior depois de um furacão daqueles?

– Tenha cuidado. – Vegeta pediu de forma séria, alguma coisa lhe incomodava no fato de Bulma ir pra tão longe sem ele. – Você volta logo?

– Volto. – ela respondeu ao arquear-se contra o corpo dele e olhá-lo. – Volto logo, volto para o natal. Eu prometo.

E eles beijaram-se.

Na manhã seguinte, depois do furacão Ginevra, outra catástrofe assolou São Francisco. O maior terremoto desde 1906.

E Bulma não voltou para o natal.

Flashback off

***

Bip. Bip. Bip.

A luz branca ofuscou-lhe os olhos com violência, mas dessa vez eles continuaram abertos.

A garganta doía-lhe e as juntas estavam rígidas quando tentou se mexer.

Tossiu desesperadamente e arrancou o tubo que estava enterrado em sua boca.

DOUTOR! – alguém gritou muito perto. – ESTÁ ACORDANDO!

***

Londres, 25 de dezembro de 1987.

Vegeta estava particularmente deprimido naquela tarde natal. Foi muito difícil encontrar forças para deixar o hotel e encarar o que lhe esperava aquele dia.

Vinha ignorando a tudo e a todos na última semana, apenas seus filhos, que agora dormiam desarrumadamente no sofá perto dele, eram permitidos a fazer-lhe companhia. Contudo, ele não podia ignorar o compromisso que tinha aquele dia e talvez concentrar-se naquele afazer era o melhor remédio para se manter de pé por mais um dia, embora aquele dia lhe fosse o pior de todos.

Vestindo um casaco jeans surrado por cima da camiseta branca com a qual dormira, ele saiu do quarto e pegou o elevador do hotel, a única pessoa com quem teve contato, foi a babá com quem deixaria as crianças, a mulher já lhe esperava e entrou em seu quarto assim que ele o deixou.

Na manhã fria de Londres, uma limusine já o esperava em frente ao hotel e a mesma deu partida assim que ele entrou. Olhava a cidade pela janela como era sempre seu costume, pequenos flocos de neve começaram a cair lá fora quando passavam sobre o rio Tâmisa, a ponte de Londres parecia-lhe interminável. O silêncio e a solidão eram as únicas coisas que lhe reconfortavam, mas ambos acabaram quando a limusine parou em frente a entrada principal do aeroporto Heathrow. Conforme o esperado, assim que saiu da limusine, Vegeta foi cercado por seguranças que o separaram da horda de fãs que o esperavam.

Contudo, quando chegou ao saguão do aeroporto, Vegeta desvencilhou-se dos seguranças e deixou que os fãs se aproximassem. Ele sorriu gentilmente para as moças que, emocionadas, chegaram até ele. Olhou os rostos em volta enquanto pegava pequenos blocos e escrevia autógrafos. Os rostos que lhe olhavam eram todos desconhecidos e pareciam lhe passar uma ternura com a qual ele se acostumara e estar ao lado dos fãs era uma das poucas coisas que ainda lhe faziam bem.

Contudo, o coração de Vegeta descompassou depois de entregar um bloco a uma moça após um autógrado. Ao levantar novamente o rosto e olhar em volta, nem todos os rostos eram desconhecidos.

No meio da multidão, olhando-o brandamente estava um rosto que ele não via há muito tempo, mas que estava presente em seus sonhos desde sempre.

Quando ela lhe sorriu, com as mãos geladas e coração acelerado ele sorriu de volta.

Parecia inacreditável, mas ela cumprira sua promessa.

Ali, parada no meio do saguão do aeroporto, com um grosso casaco de lã, cercada de seguranças e ainda pálida estava Bulma.

Sim, ela sabia que ele estava esperando. E sim, ela havia voltado para o natal.

Notas finais do capítulo

Curtiram? 
Se tiver curiosidade, segue o link do clip no qual a fic foi baseada: http://www.youtube.com/watch?v=S_E2EHVxNAE 
Uma das mais belas canções de amor. Ah, outras referências para a criação dessa fic: o filme “Enquanto você dormia” da Sandra Bullock, o clip “November Rain” do Guns n’ Roses e a rotina de astro foi baseada nas estórias do livro “Freddie Mercury – Lembranças do Homem que lhe conhecia melhor”.
Até breve! ^^

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Fanfic Dragon Ball: O caso do inimigo do passado

Capa - O caso do inimigo do passado

SINOPSE

DRAGON BALL NÃO ME PERTENCE.

Tudo parece estar bem na Corporação Cápsula após a derrota de Cell, contudo, um chamado de SOS e o surgimento de uma ameaça poderão complicar as coisas e levar Vegeta a tomar uma decisão. Ele prefere a nova vida ou estaria disposto a ser novamente um temível pirata espacial?

CAPÍTULO ÚNICO

Era sábado e Bulma aproveitava a manhã na piscina da Corporação Cápsula junto com Trunks e seus pais. E enquanto a jovem herdeira bronzeava-se à beira da piscina vestindo um minúsculo biquíni azul turquesa, seus pais brincavam com Trunks na pequena piscina de plástico ao lado da piscina olímpica da Cápsula Corp.

A manhã estava morna, calma e perfeita e tudo que Bulma queria era relaxar e descansar de uma semana puxada de trabalho, pois recentemente a herdeira começara a assumir parte das funções de seu pai na Corporação e isso estava deixando a jovem mais bastante cansada estressada.

E por estar cansada e estressada foi que Bulma não recebeu de bom grado o telefone trazido por uma das empregadas.

– Srta. Bulma, é da empresa. – a jovem mulher falou entregando o telefone sem fio para Bulma.

– É sábado, Nadesna. Diga que não posso atender. – Bulma respondeu cansada, olhando para a empregada por trás dos óculos escuros.

– Mas senhorita, eles insistiram muito. Dizem que é urgente. Muito urgente. – a empregada insistiu receosa.

– Urgente? – Bulma indagou pegando o telefone de forma rápida. – O que será que andaram aprontando agora? – resmungou para si mesma. – Alô? É Bulma Briefs. – falou impaciente ao pegar o telefone.

– Srta. Bulma! Que bom que atendeu! – uma voz masculina aliviada foi ouvida do outro lado da linha.

– O que aconteceu Tai? Já disse que não me ligassem aos sábados…

– Srta., eu só liguei por que a senhorita me pediu que ligasse todas as vezes que encontrássemos algo suspeito e o pessoal da engenharia espacial encontrou algo realmente suspeito agora a pouco.

– E o que é, Tai? – Bulma indagou com o coração um pouco descompassado.

– É uma ligação que estão insistentemente tentando conectar com a sua casa, srta. Bulma.

– E o que tem demais em tentarem uma ligação para minha casa?

– É que a ligação é muito especial. – Tai disse muito sério. – pois ela não é desse planeta.

***

Bulma demorou menos de dez minutos para correr da piscina de sua casa até o prédio da área aeroespacial da Cápsula Corp. Esse era um dos privilégios de se morar dentro da sede de sua empresa, os Briefs sempre podiam saber de tudo a qualquer hora.

Logo que assumira um cargo de chefia na empresa de seu pai, a cientista havia montado junto sua equipe de engenharia aeroespacial um sistema de vigilância do espaço interespacial que circundava a Terra, de forma que qualquer coisa estranha que rondasse nossa atmosfera seria captado por ela. Era uma forma de se prevenir contra outros “Freezas” que quisessem atacar a Terra, pois agora que não tinha mais Goku, Bulma queria se sentir preparada.

E aquele fora o primeiro sinal que ela recebera desde que montara aquele sistema, e imediatamente, o medo de que algum pirata espacial estivesse visando a Terra a assaltou. Ela estava tão assustada que adentrou ao salão aeroespacial ainda usando seu minúsculo biquíni turquesa, deixando todos no local meio aparvalhados.

– Então, rapazes, o que encontraram? – a cientista perguntou sem ligar para a cara de espanto dos presentes ao vê-la chegar com tão pouca roupa. – O que temos aqui? – indagou já olhando o grande monitor.

– Estão tentando estabelecer contato. – Tai, um jovem de grandes óculos de armação falou. – Mas não aceitamos o contato ainda, é algo incrível, srta. Bulma! Isso é a prova definitiva de que existe vida fora da Terra!

– Sim, sim… – Bulma disse sem dar atenção ao entusiasmo do rapaz, já concentrada tentando fazer a ligação com quem mandava o sinal, estava preocupada que pudessem ser os namekuseijins. – Agora saiam e deixem que eu resolvo isso sozinha.

– Mas srta…

– Por favor, Tai. Estão dispensados, você e sua equipe. – Bulma ordenou enquanto digitava furiosamente. – Tirem o sábado de folga. Já!

Sem poder fazer mais nada, o grupo de cientistas e técnicos da unidade foram saindo aos pouco muito curiosos enquanto Bulma continuava a digitar comandos no computador, e foi só após o salão ficar totalmente vazio que ela finalmente concedeu estabelecer contato com a chamada espacial.

E quando isso aconteceu, uma figura humanóide de pele amarelada e cabelo vermelho moicano apareceu na tela. Era uma figura masculina que vestia algum tipo de armadura cor de cobre e que pareceu muito sério ao ver a mulher de grandes olhos azuis olhando-o.

– Preciso falar com Vegeta. – O ser extraterrestre falou seriamente ao vê-la. – Essa é a casa dele?

– É sim, – Bulma respondeu meio embasbacada. – Mas ele não está nesse lugar agora.

– Você é uma escrava dele? – o ser perguntou observando indiscretamente o busto do biquíni de Bulma.

– Nã… Não… – Bulma respondeu meio confusa. – Eu sou… – pensou um pouco, o que ela era mesmo? – Eu sou a mulher dele. – ela disse por fim.

– Vegeta tem uma mulher? que estranho… – o extraterrestre comentou para si próprio.

– O que há de estranho nisso? – Bulma indagou meio sem entender e com uma pontada de irritação.

– Nada, nada… – o outro desconversou. – Preciso que dê um recado a ele. Receba essa mensagem…

Bulma viu a pequena impressora ao lado do painel de comando imprimir uma folha de papel. Ela pegou a folha e nela havia escrito apenas uma palavra: Redrum.

– Redrum…– Bulma leu a palavra sem entender. – O que é Redrum? – ela indagou para o ser.

– Vegeta irá entender. – O ser disse simplesmente. – As coordenadas para meu planeta estão sendo enviadas para seu sistema. Avise-o logo!

– Mas… – Bulma ia pedir explicações ao extraterrestre, mas era tarde demais.

A tela ficara escura.

***

– VEGETA! VEGETA! ABRA ESSA MALDITA PORTA!

Bulma já gritava a cerca de cinco minutos em frente à porta da sala de gravidade. A cientista havia corrido para lá assim que terminara a comunicação com o estranho ser extraterrestre e estava muito curiosa e muito preocupada com o que seria aquela mensagem para Vegeta.

– ABRA ESSA PORTA SEU LUNÁTICO OU EU…

– QUE FOI, MULHER? – Vegeta abriu a porta de supetão. – QUE ESCÂNDALO TODO É ESSE? NÃO SE PODE TREINAR MAIS EM PAZ NESSA CA…

O sayajin parou de falar ao ver a situação em que Bulma se encontrava.

Vestindo ainda o minúsculo biquíni turquesa e a sandália plataforma e meio afogueada pela corrida até ali, Bulma estava de um jeito que mexeu com as fantasias do sayajin.

– O que quer?– ele disse mais calmo olhando-o de canto de olho.

Bulma entendeu a repentina calma do companheiro e bufou ao perceber o que ele estaria pensando que ela queria ali.

– Isso aqui! – ela disse irritada entregando o papel para Vegeta.

O príncipe dos sayajins pegou o papel sem entender, mas seu semblante tornou-se imediatamente grave e preocupado ao ver o que o bilhete tinha escrito. Bulma também ficou apreensiva ao ver o semblante de Vegeta mudar.

– Quem lhe entregou esse papel? – Vegeta indagou sem retirar os olhos da folha onde estava escrito “Redrum”.

– Um ser humanóide de pele amarelada e cabelo moicano vermelho, ele se comunicou com a base de engenharia aeroespacial e mandou lhe entregar isso. – Bulma explicou rápido.

– Ele deixou coordenadas? – Vegeta indagou muito sério.

– Deixou, mas…

– Prepare uma nave para mim. Tenho que ir. – Vegeta interrompeu passando por Bulma sem olhá-la.

– V-você vai embora, Vegeta? – Bulma perguntou um tanto magoada, sem entender nada do que estava acontecendo.

– Prepare imediatamente. – ele disse ainda mais sério, caminhando para a casa sem olhá-la e pelo tom de voz do companheiro de tantos anos, Bulma soube que era algo realmente importante.

***

Sem entender o que estava acontecendo e sem outra escolha, Bulma preparou uma nave do mesmo modelo da que Goku fora pra Namek e que ela construíra para eventuais necessidades e estacionou-a no jardim da Corporação Cápsula. Vegeta havia desaparecido dentro da casa e Bulma encontrava-se aflita sem saber o que acontecia. A sensação de que era o fim entre ela e o príncipe dos sayajins e de que ele estaria partindo pra sempre a tomou por completo. Ela resolvera fazer o que ele dissera e dar-lhe a nave que ele estava precisando, se Vegeta ia abandoná-la, ela não iria colocar empecilho, seu orgulho era maior que isso.

– O que está acontecendo querida, Vegetinha vai viajar? – a Sra. Briefs perguntou ao se aproximar da nave no jardim, a jovem senhora trazia Trunks nos braços e estava acompanhada do marido.

– Acho que sim, mamãe. – Bulma respondeu sem emoção, olhando pensativa para a nave.

– Está tudo pronto?

A voz de Vegeta fez todos virarem-se para olhá-lo.

Ao ver o companheiro, imediatamente Bulma teve um terrível deja-vú. Isso por que o sayajin estava vestido com a armadura que usara quando pertencera ao exército de Freeza e que havia sido restaurada por Bulma, até o velho scouter que Bulma também consertara estava ali também.

O coração da mulher apertou ao ver o companheiro vestido daquela maneira.

– Você já vai? – Bulma indagou com a voz um tanto falha.

– Mas é claro, mulher. Está na hora. – ele disse sério passando por ela e subindo a rampa da nave.

Bulma sentiu o coração estraçalhar ao ver o sayajin passar por ela e entrar na nave sem nem ao menos olhar para ela, nem para o filho. Ela baixara um pouco a cabeça e tentava esconder as lágrimas.

– Vamos logo, mulher, já está passando da hora! – Vegeta voltou até a rampa e disse irritado. – Não vou te esperar o dia todo.

– E- eu vou também? – Bulma perguntou tremendamente surpresa.

– Claro. – Vegeta respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – ou você pensa que eu vou

pilotar essa nave sozinho, eu não tenho as coordenadas. Pode trazer o moleque, se quiser… – Vegeta disse olhando Trunks no braço da avó. – Ele pode não querer ficar longe de você por muitos dias, esse pirralho é muito temperamental…

– Nós… Nós já estamos indo, Vegeta. – Bulma disse emocionada pegando Trunks dos braços da mãe junto com uma pequena bolsa com coisas do bebê e subindo a rampa da nave em seguida.

Ao entrar no transporte espacial ela seguiu Vegeta até a cabine de comando e chegando lá colocou Trunks em uma das poltronas, amarrando firmemente os cintos de segurança em torno da criança de um ano. Vegeta já estava confortavelmente sentado em uma das poltronas.

– Pode dar partida quando quiser… – o sayajin disse sem olhar para a Bulma.

A cientista já havia programado a nave com as coordenadas dadas pelo extraterrestre e sentou-se em sua própria poltrona. Com um estremecimento, ela ligou as turbinas e em pouco tempo decolou.

Aos poucos os vultos do Sr. e Sra. Briefs acenando desapareceram lá embaixo.

***

Bulma havia colocado a nave em piloto automático. Ela descobrira que as coordenadas dadas pelo extraterrestre remetiam a um planeta chamado Onion e que estariam lá dentro de um dia, pois o mesmo ficava em um sistema na mesma galáxia em que estavam. Ela estranhara saber que Vegeta conhecia alguém de um planeta tão próximo da Terra, mas não fez perguntas que o sayajin não quisesse responder. Vegeta estava calado desde que entraram na nave e ela não quis começar uma discussão. E ela sabia que aquilo que estava acontecendo tinha relação ao passado do sayajin e o passado de Vegeta era uma enigmática e obscura incógnita, era um assunto que o sayajin não tocava e que não a deixava tocar, isso nunca antes havia incomodado a cientista, até aquele dia.

Quando seu relógio marcou 23:00 no horário da Terra, Bulma já tinha alimentado Trunks e colocado-lhe para dormir em um dos quartos da nave que ficava logo ao lado do quarto que preparara para ela e Vegeta. Uma babá eletrônica velava o som do menino.

Depois disso, Bulma tomou um longo banho quente. Aquele dia realmente não tinha sido o sábado pacato e relaxante que ela queria.

Quando saiu do banheiro, Vegeta a aguardava de pé próximo a porta do quarto, a olhava de forma enigmática.

– Pergunte… – ele disse aproximando-se dela a passos lentos.

– O quê, Vegeta? – Bulma indagou tentando demonstrar que não estava entendendo.

– Mulher, sei que está louca pra perguntar quem é o ser que me chamou. – Vegeta afirmou com firmeza agora chegando bem próximo dela. – Sei que acha que isso tem haver com meu passado, e tem razão.

– C-como? – ela perguntou meio sobressaltada com o olhar estranho de Vegeta. Vestido naquele uniforme das tropas de Freeza, o pai de seu filho lhe dava um pouco de medo.

– Sei que está curiosa com meu passado. – ele disse passando a ponta do dedo no rosto da mulher. – Sempre esteve. Sei que deve passar horas se perguntando sobre todos os horrores que eu cometi quando trabalhava pra Freeza…

– Ve- Vegeta… Eu não…

– Eu fiz muita coisa de errado, mulher. – ele a interrompeu. – Eu matei mais seres do que eu possa contar… Eu purguei planetas… Eu destruí… Eu mutilei… Eu usei mulheres antes de matá-las… E eu não sentia nenhum remorso por isso.

Bulma engoliu em seco. Um arrepio frio percorreu sua espinha quando a mão enluvada do guerreiro percorreu suas costas.

– Mas, eu não me orgulho disso… – o sayajin confessou de forma quase inaudível ao ouvido da mulher no mesmo instante em que a trazia mais pra perto e começava a beijá-la sofregamente.

Então, com uma das mãos, Vegeta fez cair a toalha que cobria o corpo de Bulma para tomá-la nos braços e levá-la até a cama. Bulma ficou mais relaxaada e observou o próprio sayajin despir-se aos poucos.

– Não gosto dessa armadura… – ela confessou quando Vegeta já tirava o collant que ficava sob a armadura. – Ela faz você parecer alguém que não é mais…

– Tem certeza que não sou mais essa pessoa? – ele perguntou estreitando os olhos, já despido, tinha a boca muito próxima da boca da cientista.

– Tenho. – Bulma respondeu com um estremecimento.

Vegeta não confirmou nem negou a opinião da mulher. Ele apenas afastou-lhe as pernas e pegou o próprio membro encaixando-se dentro do corpo da cientista. Quando estava muito excitado, o príncipe não dava se importava com preliminares, mas isso não desagradava Bulma, ver o desejo nos olhos dele a deixava tão excitada quanto o parceiro e vê-lo entregando aquela parte do passado para ela, fez a cientista sentir que mais uma pequena e frágil conexão estava se fazendo entre eles.

O sayajin estocou-a forma rápida e frenética. Ele segurou os braços de Bulma contra a cama deixando-a completamente imobilizada enquanto seus beijos desciam do colo para os mamilos rijos. Ele a escutou gemer como ele gostava, uma sutil diferença entre ela e as mulheres que ele tivera no passado, isso por que o gemido da cientista era de prazer e aquilo só lhe estimulava cada vez mais, fazendo-o chegar ao êxtase na mesma proporção em que mulher também gritava. Fazendo-o derramar-se dentro dela e querendo ficar ali pra sempre.

Respirando sofregamente, o casal separou-se sobre o leito e Bulma puxou um lençol para cobrir-lhe o corpo, Vegeta permaneceu exposto e olhando para o teto da nave.

Ficaram em silêncio por alguns instantes.

– Redrum é o equivalente a palavra dívida na língua dos onianos. – Vegeta disse enquanto olhava para o teto, surpreendendo Bulma. – Estou indo pagar uma dívida do passado. – Ele explicou.

– E você já esteve nesse planeta? – Bulma perguntou curiosa virando de lado para olhar o parceiro, surpresa com a confissão dele. – É tão perto da Terra… Achei que você tinha vindo a essa galáxia somente quando veio atrás de Goku…

– Foi isso mesmo. – Vegeta afirmou ainda sem olhar Bulma. – Eu encontrei os onianos muito longe dessa galáxia: Estávamos purgando um planeta, Nappa e eu. Alguns piratas espaciais que eram rivais de Freeza queriam purgar o planeta também e nos encurralaram graças a burrice de Nappa. Então, os malditos onianos salvaram nosso pescoço por que queriam comprar o planeta purgado. Mas o maldito general deles, fez questão de jogar na minha cara que tínhamos uma dívida de honra e agora ele quer cobrá-la.

– E o que acha que ele quer? – Bulma perguntou agora meio temerosa. – Você vai mesmo cumprir?

– A palavra de um príncipe é sagrada. – Vegeta disse sério. – Vou cumpri-la seja lá o que quiserem, mas não faço ideia do que ele quer.

– Estou com medo, Vegeta… – Bulma disse chegando mais perto do guerreiro e aconchegando-se em seu peito, Vegeta não se opôs a isso.

– Não tenha medo, mulher. Você está com um super sayajin. – o guerreiro respondeu fechando os olhos e sentindo o corpo da mulher recostado junto ao dele.

Vegeta adormeceu tranquilamente em seguida, já Bulma ficou muito tempo acordada imaginando o que aquele extraterrestre poderia querer de sua família.

***

Eles estavam próximos de pousar. Onion era um planeta verde, muito semelhante com a Terra, mas sem tantos oceanos. O local marcado pelo extraterrestre era um vale escondido entre uma cordilheira de montanhas e Bulma teve que ter muito cuidado ao pousar em um lugar tão íngreme. Ela achou estranho terem escolhido um lugar tão inóspito como ponto de encontro, mas fez o que Vegeta mandou e em pouco tempo estavam em terra firme. Ao menos os parâmetros de sua nave mostraram que a gravidade era compatível com seus corpos e que a atmosfera de Onion era respirável.

Quando a rampa da nave encostou no chão levantando poeira, Vegeta saiu acompanhado por Bulma que segurava um empolgado Trunks. Eles logo viram lá embaixo o extraterrestre que mandara a mensagem, estava acompanhado por cerca de mais seis soldados.

– Vegeta… – o extraterrestre disse encarando o sayajin. – Não mudou nada…

– Nem você, Athep. – Vegeta respondeu ficando frente a frente com o outro ser que era bem mais alto que ele.

– Então é verdade que tem uma companheira? – Athep disse olhando Bulma que estava atrás de Vegeta e observando Trunks que tinha o olhar exatamente igual ao de Vegeta. – Achei que você era incapaz de ter alguma conexão emocional com alguém…

– Isso não vem ao caso, Athep. – Vegeta o cortou com irritação, estava um pouco constrangido. – Diga-me logo o que quer de mim…

– Razberry* está aqui.

– Mas como? – Vegeta indagou surpreso ao lembrar-se do ex-companheiro no exército de Freeza. – Esse verme morreu quando Namek explodiu!

– De algum modo ele voltou a viver e largou o exército de Freeza antes de todos serem destruídos na Terra. – Athep explicou. – Ele agora é um pirata espacial independente, tem seu próprio exército de capangas e acabou tomando nosso planeta. Ele matou nosso líder e agora vive no castelo dele… Razberry escravizou nosso povo, ele e seus capangas estão acabando com nosso planeta. Eles tomaram nossas armas e dizimaram nosso exército. Fomos os únicos que sobramos, por isso, quando soubemos por nossos agentes que você estava vivendo na Terra, resolvi que precisava cobrar o favor.

– Então você quer que eu destrua Razberry. – Vegeta disse e riu de lado como se lhe pedissem algo extremamente fácil. – Considere feito.

Athep acenou a cabeça em satisfação.

– Quer que nós o acompanhemos ao castelo para atacá-lo? – Athep perguntou. – Podemos também arranjar um local seguro para a mulher e a criança ficarem.

– Não é preciso que me ajudem, posso com esse verme sozinho. – Vegeta disse orgulhosos já virando as costas para entrar na nave. – Quanto à mulher e o menino, não confio em mais ninguém pra cuidar deles. E eles o enlouqueceriam se ficassem aqui, vá por mim.

Bulma quis protestar pelas palavras de Vegeta, mas não teve tempo, pois teve quase que correr para acompanhá-lo Vegeta até a nave.

– Localize esse castelo, mulher. – Vegeta disse quando entraram na sala de comando. – Quero fazer uma visitinha de cortesia.

– Você acha mesmo que é seguro que eu vá com Trunks? – Bulma perguntou enquanto dava partida na nave. Vegeta olhou para o pequeno menino preso com o cinto em outra poltrona da nave, Trunks lhe olhava sério, como se ele mesmo entendesse a gravidade da situação.

– Não se preocupe, mulher, eu já não te disse? Você está com o príncipe dos sayajins! – Vegeta disse orgulhoso e Bulma deu a discussão por encerrada. Ela sentia-se segura com Vegeta.

***

Pousaram em frente ao castelo real de Onion. O aspecto abandonado da construção de pedra e os pequenos pontos que se aproximavam ao redor da nave mostraram que estavam diante de uma construção sitiada.

– Quero que venham comigo. – Vegeta falou para Bulma ao preparar-se para sair da nave.

– Não seria melhor que Trunks e eu ficássemos aqui? – Bulma perguntou indecisa ao ver os guardas que agora cercavam a nave.

– Vocês não estarão seguros nessa nave sem mim. – Vegeta respondeu já saindo. Bulma pegou Trunks e acompanhou o sayajin.

Pouco depois eles já desciam a rampa da nave, Vegeta sequer olhava os guardas que o esperavam ao final da rampa e Bulma olhava para todos com muita apreensão.

Quando Vegeta chegou ao final da rampa, encarou o ser que parecia ser o chefe do bando. Era roxo, tinha focinho e usava uma armadura parecida com a do exército de Freeza, contudo seu uniforme era avermelhado.

– Razberry está aí? – Vegeta perguntou com superioridade.

– Está. – o pirata respondeu desconfiado. – Quem é você?

– Um velho amigo… – Vegeta disse perigosamente e antes que qualquer um ali percebesse, até mesmo Bulma, Vegeta golpeou o soldado a sua frente atravessando-o e em seguida, mais rápido que qualquer um ali, ele lançou golpes de energia contra cada um dos soldados, destruindo-os tão rapidamente que sequer conseguiram reagir. Bulma correra de volta para a nave e ficara escondida segurando um agitado Trunks que queria soltar-se de seus braços, provavelmente louco para entrar na luta lá embaixo.

Alguns instantes depois os barulhos de explosão pararam.

– Pode sair, mulher! – a voz de Vegeta tinha um tom zombeteiro e quando Bulma desceu a rampa da nave novamente viu o chão envolta coalhado de corpos. Vegeta lhe olhava com deboche. – Eu não disse que deveria confiar em mim?

Eles seguiram pela entrada do castelo, Vegeta pisando duro e Bulma saltando pelos corpos dos soldados desfalecidos. Vegeta arrebentou a porta da frente do castelo de forma silenciosa e foi atacando todos os capangas de Razberry que encontrava por ali. Guiado pelo ki de Razberry, pouco tempo depois de entrarem no castelo, Vegeta achou a sala do trono. Essa ele não destruiu, apenas girou a maçaneta e entrou imponentemente.

Razberry estava sozinho e escondido sobre um grande trono de ouro, seu semblante de pavor acentuou-se imensamente quando viu Vegeta entrar pelo salão.

– Olá, Razberry… Há quanto tempo? – Vegeta proferiu o cumprimento de forma tão psicótica que até Bulma sentiu um arrepio e teve que lembrar-se que o sayajin a sua frente era o seu companheiro, elas às vezes esquecia-se de como Vegeta podia ser assustador.

– Ah, olá Ve-Vegeta… – Razberry disse saindo de debaixo do trono e andando até o príncipe sayajin, o alienígena tremia. – Eu senti um poder imenso, mas não sabia que era você… Da última vez que nos vimos, você não tinha tanto poder…

– Eu fiquei muito mais poderoso desde a última vez que nos vimos.

– Vejo que trouxe companhia… – Razberry disse ao olhar curiosamente a mulher que segurava uma criança atrás de Vegeta. Logo ele a reconheceu. – Ei, você não é aquela piranha que nos enganou em Namek? – Razberry disse tomado de irritação ao reconhecer Bulma e andando até ela na tentativa de pegá-la.

– Não toque na mulher. – Vegeta ordenou segurando Razberry pela mão que ele levantara para tocar em Bulma.

– Ela é sua escrava, Vegeta? – Razberry falou estranhando a possessividade do sayajin. – Bem que eu soube que você estava muito bem em um planeta chamado Terra. Imagino que você dominou o planeta e que agora está cercado por belas escravas como essa, assim como você fazia antigamente… Mas, quem é essa coisinha? – ele disse apontando para Trunks com a mão livre.

– Eu não sou escrava de Vegeta, seu idiota burro! – Bulma replicou irritada. – E esse bebê é o filho dele!

– Filho?! – Razberry impressionou-se. – Vegeta, você teve um filho!? – o guerreiro constatou quase caindo no riso. – Não achei que fosse viver pra ver isso… Achei que você sempre as matasse para garantir que não procriassem…

– Cale a boca, Razberry! – Vegeta disse ríspido, ficando incomodado com as palavras do alienígena e levantando a mão espalmada contra Razberry. – Vim aqui para acabar com você!

– Não faça isso, Vegeta! – o outro perguntou com terror. – Você não pode! Faço qualquer coisa que quiser para que não me mate! Eu lhe ofereço sociedade! Com os meus contatos e a força que você tem agora nós podemos ser os piratas espaciais mais poderosos do universo! Podemos montar um exército maior que o de Freeza! E você poderá ocupar o trono de príncipe que sempre almejou! O que acha?

Vegeta calou-se por um momento como se ponderasse a proposta de Razberry e Bulma temeu por um instante, imaginando o que o companheiro estava considerando. Razberry quase sorria vitorioso.

Por fim, Vegeta mexeu-se.

– Razberry, eu não quero ser um príncipe de bandidos. Eu sou um príncipe nobre. Sou o príncipe dos sayajins e esse é o único povo que eu quis liderar.

– Você fala de um povo morto… – Razberry ironizou.

– Eles podem estar mortos, mas eu estou vivo e a linhagem sayajin vai viver através de mim. – Vegeta disse olhando de esguelha para o pequeno Trunks que tinha os olhos vidrados no pai. – Não se pode dizer o mesmo de você, considere-se MORTO!

Vegeta então lançou uma pequena esfera de energia contra o peito de Razberry. Pequena, mas forte o suficiente para lançá-lo longe, atravessando a parede do castelo e fazendo-o cair no chão ao longe, totalmente desprovido de ki.

– Acabou? – Bulma indagou quando Vegeta virou-se na direção dela. O sayajin fez um pequeno aceno com a cabeça e saiu em direção à porta do trono. Bulma seguiu o companheiro e fora do castelo, próximo a nave estacionada eles encontrara Athep ladeado por seus guardas.

– Obrigada, Vegeta. – Athep disse quando o sayajin se aproximou. – Agora nosso povo poderá reconstruir nosso planeta. O que você fez hoje provou que agora é um guerreiro regenerado…

– Não fale asneiras! – Vegeta disse ríspido passando por Athep para entrar na nave. – Eu apenas paguei minha dívida e agora não devo nada a você… – disse já entrando na nave.

– Sr. não se irrite com os modos dele. – Bulma disse para Athep ao passar pelo alienígena. – Ele apenas não sabe se expressar, isso não quer dizer que não sinta…

– A senhorita é uma mulher sábia e poderosa, Lady Bulma. – Athep falou ao pegar a mão da cientista e beijá-la. – É a companheira perfeita para o grande guerreiro que Vegeta é.

– Ah, que é isso… – Bulma disse envergonha, estava muito vermelha com o elogio da alienígena. – Eu sou apenas uma jovem e atraente mãe que também é um gênio…

– E é modesta também… – Athep complementou segurando o riso ao despedir-se da mulher que subiu a rampa toda imponente.

Logo, eles zarparam de Onion para sempre.

***

Horas mais tarde, Vegeta e Bulma estavam novamente abraçados na cama em seu quarto na nave após terem feito amor mais uma vez.

– Vegeta? – Bulma indagou receosa para o sayaji

n que estava calado olhando o teto como sempre fazia.

– O que é?

– Aquelas coisas que Razberry falou eram verdade? – ela perguntou insegura. – Você… Você vivia cercado de belas escravas? E você realmente matava suas parceiras para que elas não tivessem filhos?

– Elas não eram minhas parceiras. – Vegeta respondeu seriamente. – E eu não as procurava, nem vivia cercado delas, elas apenas estav

am em todo lugar nas naves de Freeza… E elas eram “descartáveis” como Freeza nos ensinou.

– E por que não me matou? – ela perguntou temerosa.

– Deixe de perguntas estúpidas, mulher! – Vegeta disse irritado levantando-se da cama e caminhando em direção ao banheiro. – Eu não tinha por que matar você! Vontade não faltou… – ele disse de costas para ela. – Mas, por diabos, eu não consegui… Eu não quis… – ele quase sussurrou. – Agora trate de se vestir, estamos quase chegando em casa. – ele disse antes de e

ntrar no banheiro e trancar a porta.

Bulma olhou pela escotilha da nave e viu que Vegeta tinha razão. A Terra já podia ser vista como um pequeno pontinho azul no horizonte.

E naquele momento, a mulher de cabelo azul sentiu-se tremendamente bem, não sabia se por Vegeta confessar que não a matou por que não queria, ou se foi por que ele tinha incluído ela e Trunks naquela viagem e os protegido por todo tempo.

O mais certo é que sua alegria era por Vegeta ter-lhe dito que estavam chegando em casa. Pois agora ela sabia que ele a considerava e Trunks  como família e que considerava a Terra como seu lar. Isso demonstrava que o laço entre eles finalmente estava feito, e que o passado dele não poderia voltar para assombrá-los, ao menos por enquanto.

Debster – Por que não?

Vendo esse print de um dos episódios da 8° e última temporada de Dexter, me revolto com o falso moralismo das pessoas e a falta de coragem dos roteiristas de manter Dexter e Deb como um casal.

Por quê? Por que são irmãos adotivos? Grande piada.

Acho o cúmulo os fãs aceitarem um protagonista que esquarteja pessoas e não aceitarem que ele ame a irmã adotiva que sempre esteve ao seu lado. descubram que são apaixonados. Ao invés disso, os telespectadores acham ótimo que Dexter esteja envolvido com outra serial Killer. Francamente…

É nesse momento que agradeço a Deus por existirem as Fanfics…

Dexter e Debra, os fãs lhe darão o lugar de direito que a série lhes negou: estar juntos!

Fonte da imagem: https://www.facebook.com/CentralDeSeriesBrasil?ref=ts&fref=ts

Fic “Os Cinco” (One-shot)

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NOTAS INICIAIS

 Essa fic é uma adaptação do filme “O Clube dos Cinco” de Jonh Rughes para o universo “Dragon Ball”. “O Clube dos Cinco” é considerado por muitos como o melhor filme adolescente do cinema, ou ao menos, da década de 80.

 A estória é quase totalmente adaptada do livro e a maioria dos diálogos pertence ao roteiro de Rughes, portanto não me pertence.

Essa estória é apenas uma homenagem de uma fã ao filme e ao anime para qual o mesmo foi adaptado. Não visa nenhum tipo de lucro, apenas diversão para fãs.

 SINOPSE

 Resumindo, a definição mais apropriada é nos ver é como um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um delinquente

OS CINCO – By Lady R. 

CAPÍTULO ÚNICO

Sábado, 24 de março de 1984

Orange High School, Cidade de Leste, 5:02 P.M

Caro senhor Satan,

Aceitamos ficar um sábado inteiro de castigo pelo que fizemos de errado, se é que o que fizemos foi errado, mas achamos besteira nos obrigar a fazer uma redação sobre nós mesmos, o senhor não tá nem aí, pode nos ver do jeito que quiser.

Resumindo, a definição mais apropriada é nos ver é como um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um delinquente. Foi assim que nos vimos hoje às sete da manhã.

***

– Não acredito que tenho que fica de detenção num sábado. – Bulma reclamava chorosa para o pai dentro do carro em frente ao portão do colégio. – É como se eu tivesse algum defeito…

– Você não tem nenhum defeito, querida. – Dr. Briefs dizia carinhoso – E prometo lhe compensar nisso. Matar aula pra fazer compras não é um defeito. – disse beijando a filha. – Tenha um bom dia.

Bulma saiu do carro irritada e aproximou-se dos portões da Orange High School, ela não prestou atenção nos outros quatro tipos que também adentraram ao colégio naquele momento.

Percorrendo os corredores desertos, em cerca de minutos a garota chegou ao salão da grande biblioteca da escola. No centro do salão estavam dispostas cerca vinte carteiras de madeira com mesa, cada uma com três lugares. Bulma sentou-se na ponta esquerda da cadeira de três lugares da frente.

Um minuto depois entrou na sala Goku, presidente do clube de luta do colégio. Vestido com o casaco azul da equipe de luta, ele cumprimentou a amiga com um sorriso e sentou-se na outra ponta da carteira de três lugares.

Depois dele, adentrou na sala um careca baixinho segurando dois grossos livros embaixo do braço. Kuririn sentou-se na carteira atrás da carteira de Bulma e Goku.

O próximo a adentrar na biblioteca foi um tipo que chamou a atenção dos demais. Vestido com um sobretudo marrom por cima do casaco jeans, calçando botas e luvas de couro, Vegeta, o delinquente do colégio, dirigiu-se para a carteira que Kuririn ocupava expulsando-o apenas com um rugido. Kuririn fugiu assustado para a carteira da outra fila e Bulma e Kakkarotto entreolharam-se ironicamente.

Vegeta acomodou-se confortavelmente na cadeira do meio de sua carteira e usou a cadeira ao lado para colocar as pernas.

A última a adentrar foi uma moça de cabelos pretos. Parecia acanhada e estava vestindo um grosso pulôver preto de mangas compridas e saia cinza que ia até os pés.

Segurando a grande bolsa transversal, ela procurou um lugar na última carteira e acomodou-se encolhida. Todos os outros conheciam Chichi, a estranha do colégio.

Bulma e Goku riram do jeito esquisito da garota.

No mesmo instante, o professor responsável, o supervisor Satan, que gostava de ser chamado pelos alunos pelo título de Mr. Satan adentrou na biblioteca.

– Sejam bem vindos à detenção. – ele anunciou triunfalmente, muito satisfeito com as vítimas daquele dia.

Imediatamente, Bulma levantou a mão.

– Senhor, digo, Mr. Satan deve, ser um engano. – Bulma falou com segurança. – Eu sei que é castigo, mas eu não deveria estar aqui…

– Se está aqui, mocinha. – Mr. Satan falou com gosto encarando Bulma. – É por que mereceu, então ACOSTUME-SE. – gritou com satisfação voltando para o centro da sala. – Então meus caros, – o professor recomeçou pomposo. – Vocês têm nove horas para pensar no que fizeram. Durante esse tempo, vocês não podem conversar, vocês não podem se mexer, e você – falou apontando para Vegeta que o olhava com cara de tédio. – Sem dormir.

Vegeta fez cara de “não estou nem aí” e o professor recomeçou sem ligar pra ele:

– Ao final desse dia, vocês deverão me entregar uma redação com mil palavras sobre a ideia que fazem de si mesmos. E não vale escrever mil vezes a mesma palavra, entendeu, Senhor Vegeta? – falou novamente encarando o rapaz que o olhava com desdém. – Meu escritório está bem ali. – ele continuou apontando uma sala em frente à porta da biblioteca. – Se eu ouvir ou ver algo anormal, vocês ganham outra detenção. – anunciou em tom de importância. – Tenham um bom dia.

O professor deu as costas e saiu com ar imponente sentando-se em sua escrivaninha no escritório em frente à biblioteca.

A sala ficou silenciosa por uns instantes até que um barulho estranho fez Goku, Bulma, Vegeta e Kuririn olharem espantados para o fundo da sala.

Chichi roía a unhas convulsivamente.

– Se comer os dedos perde a fome pro almoço… – Vegeta falou com ironia e Chichi parou de roer as unhas, cuspiu na direção de Vegeta.

– Maluca… – Vegeta resmungou voltando a olhar pra frente. Vendo que Bulma e Goku estavam quietos olhando para frente, o rapaz pegou a folha de papel que estava em sua carteira para fazer a redação e amassou-a. Em seguida, jogou a bolinha de papel entre os dois colegas que estavam na carteira da frente.

– Ei, otário, – Vegeta falou para Kuririn enquanto encarava as costas de Bulma e Goku na carteira da frente. – Vá ali fechar a porta da biblioteca que tá na hora de engravidarmos a rainha do baile.

Goku virou-se indignado para encarar o colega.

– Cuidado aí com o que diz, cara, se eu perder minha paciência, juro que te arrebento. – ameaçou.

– Sério? – Vegeta indagou irônico.

– Por que vocês dois não calam a boca? – Bulma pediu de mau-humor, estava morrendo de medo de o professor escutar a discussão.

– O que você fez pra tá aqui, campeão? – Vegeta indagou sarcástico sem ligar para os protestos de Bulma.

– Eu acho melhor a gente fazer a redação, galera. – Kuririn interveio temeroso com medo da tensão que aumentava entre os dois colegas.

– Ignorem ele. – Bulma pediu olhando irritada para Vegeta.

– Gata, você nunca conseguiria me ignorar. – Vegeta replicou lançando um sorriso safado para a garota.

Bulma fez cara de desdém para o rapaz e depois se ajeitou em sua carteira junto com Goku. Mal o silêncio pairou sobre a sala, Vegeta voltou a falar.

– Então… – o rapaz recomeçou com seu mesmo tom sarcástico. – Vocês dois são namorado e namorada? É amizade colorida? São amantes? – provocou, mas Bulma e Goku permaneciam calados.

– Confessa campeão, já mostrou a sua linguiça pra ela, não mostrou? – Vegeta provocou mais uma vez.

– Ah, vá se fuder! – Bulma indagou indignada.

– O que está acontecendo aí? – Mr. Satan perguntou de mau-humor chegando próximo à porta da biblioteca.

– Nada, professor. Não está acontecendo nada… – Kuririn apressou-se a dizer.

– Ah, melhor assim. – Mr. Satan disse desconfiado. – Vou buscar um café. Nem pensem em se mexer, se não já sabem…

Dizendo isso, o professor desapareceu para os corredores.

– Imbecil… – Goku resmungou para Vegeta assim que o professor desapareceu.

– Sabe, por que a gente não fecha a porta? – Vegeta falou levantando-se. – Não dá pra fazer festinha com a porta aberta…

– Por que não cala a boca? – Goku retrucou com raiva. – Devia ficar sempre calado, cara. Ninguém notaria a diferença, aliás, se sumisse da escola ninguém notaria mesmo…

– Ah, falou o senhor inteligente. – Vegeta disse no meio da sala. – Precisa ser inteligente pra ser lutador, campeão? Por que quando sair daqui, acho que vou me juntar a equipe de luta… – disse irônico.

– Não iam aceitar você. – Goku replicou irritado.

– Sabe por que você desfaz de tudo, cara? – Bulma perguntou entrando na conversa. – Por que você tem medo de ser rejeitado. Por isso não se enturma e sacaneia com tudo.

– Será que isso não tem haver com o fato de vocês serem uns babacas, meu bem? – Vegeta indagou encarando Bulma.

– Como você sabe? Você nem conhece a gente… – Bulma respondeu olhando-o.

– Olha, se continuarem conversando o Satan vem aqui. – Goku falou meio nervoso. – Eu tenho campeonato de luta no próximo sábado. Não posso arriscar ficar de detenção novamente.

– Nossa, seria uma pena. – Vegeta ironizou.

– Você diz isso por que nunca competiu na vida. – Goku retrucou aborrecido.

– Verdade, sinto a maior admiração por caras que rolam com outros caras no chão… – Vegeta rebateu.

– Você só quer ser igual a mim. – Goku replicou.

– Quero sim. Pra isso eu só preciso de uma lobotomia e de uma malha… – Vegeta disse desdenhoso.

– Você usa malha? – Kuririn perguntou para Goku segurando o riso.

– Não uso malha. – Goku respondeu envergonhado. – Uso uniforme apropriado.

– É malha… – Kuririn concluiu rindo convulsivamente. Bulma e Chichi também começam a rir e Goku acompanhou por fim.

Enquanto todos riam, Vegeta saltou de sua carteira e passando pela carteira da frente entre Bulma e Goku, ele rapidamente chegou à porta da biblioteca e começou a tentar retirar um dos parafusos da fechadura da porta.

– Chega, para com isso! – Bulma disse de sua carteira, preocupada que o professor chegasse.

– Vai fazer o quê? – Vegeta perguntou com desdém enquanto tirava o parafuso.

Após tirar o parafuso da porta, Vegeta empurrou a porta, trancando a biblioteca. Ao ouvir passos, ele correu devolta para sua carteira.

– Por que a porta estava fechada? – Mr. Satan perguntou irritado ao adentrar na sala.

– Como vamos saber? – Vegeta indagou com semblante entediado.

– É, estamos quietos como o senhor mandou. – Bulma completou docemente a mentira.

– QUEM fechou aquela porta? – Mr. Satan indagou furioso apontando a porta novamente fechada por causa da falta do parafuso.

– Ela fechou sozinha, Senhor. – Goku falou. – Acho que caiu um parafuso…

Mr. Satan foi até a porta e percebeu a falta do parafuso, furioso ele foi até a carteira de Vegeta.

– ME DÁ O PARAFUSO! – gritou estendendo a mão para o estudante.

– Não tá comigo. – Vegeta replicou sem dar interesse.

– Desculpe, professor, mas por que ele iria querer roubar um parafuso? – Bulma indagou fazendo Vegeta lhe lançar um olhar surpreso.

– Cuidado mocinha, muito cuidado. – Mr. Satan advertiu voltando-se até a porta e colocando uma cadeira para tentar manter a porta aberta, mas não obteve sucesso, a porta era muito pesada.

– Isso não vai dar certo, imbecil. – Vegeta falou de forma audível fazendo o professor largar a porta e ir até a carteira de Vegeta. Estava vermelho de raiva.

– Repita o que disse! – Mr. Satan desafiou o estudante.

– Im- be- cil. – Vegeta repetiu de forma insolente.

– Ganhou mais um sábado de detenção, rapaz.

– Eu não ligo, imbecil. – Vegeta desdenhou novamente.

– Mais um sábado. – Mr. Satan retrucou furioso.

– Eu continuo sem ligar…

– Outro sábado.

– Não tô nem ai…

– Ganhou outro um sábado.

– Ah, vá se fuder. – Vegeta replicou perdendo a paciência.

– Agora são mais dois sábados. – Mr. Satan sentenciou.

– Ah, para com isso! – Bulma pediu de onde estava. – O senhor não pode dar detenções arbitrariamente!

Mr. Satan parou por um minuto e voltou-se para encarar Bulma.

– Acabou? – Vegeta indagou sem ligar para o comentário de Bulma.

– Acabou. – Mr. Satan falou decidido. – Foram quantos sábados mesmo?

– Foram cinco senhor. – Kuririn falou de sua carteira. – Aliás, seis se contar aquela detenção dupla.

– Ah, você é meu, Vegeta! – Mr. Satan falou com satisfação. – Te peguei por quase dois meses…

– O que quer que eu diga? Estou emocionado… – Vegeta replicou em tom de deboche.

Mr. Satan o encarou com ódio, mas achou melhor se retirar antes que esganasse o estudante ali mesmo.

– Olhem, eu vou estar do outro lado daquela porta. – o professor falou se afastando em direção a saída. – Se eu tiver que voltar aqui vai ser para quebrar cabeças! – ele falou antes de sair batendo a porta.

– VAI SE FUDER! – Vegeta gritou quando a porta bateu. – Merda… – Resmungou baixinho com cara emburrada.

Depois disso, todos se mantiveram em silêncio. Passou-se mais de uma hora, enquanto isso, Vegeta acendeu um cigarro, Chichi desenhava em sua folha de redação, Kuririn dormia na mesa da carteira, Bulma olhava entediada para frente e Goku simulava golpes.

Passou-se mais uma hora e os cinco adolescentes adormeceram.

Eram 10:20 da manhã quando Mr. Satan voltou à biblioteca.

– Acordem! – o professor ordenou fazendo todos acordarem assustados. – Quem precisa ir ao banheiro?

Os cinco levantaram as mãos. Fosse para ir ao banheiro ou para simplesmente esticar as pernas, todos queriam sair daquelas carteiras duras por um momento.

Mr. Satan os deixou ir ao banheiro e na volta permitiu que pudessem andar por dez minutos dentro da biblioteca.

Estavam todos sentados em um banco próximo as estantes quando Vegeta pegou um livro e começou a rasgar suas páginas.

– Muito inteligente. – Goku ironizou a atitude do colega.

– É errado acabar com a literatura. É tão divertido ler. – Chichi falou de seu canto.

– Esse Poi me enche o saco…- Vegeta falou enquanto rasgava outra página.

– É Poe. – Bulma corrigiu olhando o colega. – Edgar Allan Poe, e eu gosto dele…

Vegeta sorriu de canto para a garota de cabelo azul.

– Ei, Bulma, tá de castigo essa noite? – Goku perguntou cortando o contato visual entre Bulma e Vegeta.

– Acho que não. – Bulma respondeu olhando o amigo.

– Vai ter uma festa na casa do Yancha. Os pais dele viajaram, acho que vai ser divertido, Você vai?

– Sei lá. – Bulma respondeu sem interesse sem perceber o olhar carrancudo que Vegeta lançava a ela e ao amigo.

Depois disso, todos, exceto Vegeta, voltaram para suas carteiras, pois os dez minutos de tolerância que o professor dera acabaram.

Vegeta aproximou-se da carteira de Bulma, ficando frente a frente com ela.

– Ei, garota, qual seu nome? – Vegeta indagou com um olhar malicioso.

– É Bulma. – a garota respondeu sem jeito.

– Bulma… – Vegeta riu com deboche. – Nome estúpido…

– É um nome de família! – Bulma replicou com indignação.

– Bulma é um nome ridículo. – Vegeta provocou. – Nome de garota burra, fútil e vulgar…

Bulma ficou tão irritada que não conseguiu preparar uma resposta. Apenas apontou o dedo médio no rosto do rapaz.

– Nossa! Um gesto obsceno vindo de uma garotinha tão inocente e pura… – Vegeta debochou novamente.

– Eu não sou uma garotinha inocente! – Bulma retrucou exaltada.

– Aposto que ainda é virgem. – ele disse malicioso. – Eu poderia apostar um milhão que ainda é… – disse encarando Bulma que estava vermelha de ódio e vergonha. – Vamos, diga, acabe com o suspense… É uma virgem que vai casar de véu e grinalda…

– Cala a boca! – Bulma replicou transtornada.

– Me diga uma coisa, – Vegeta indagou malicioso olhando-a nos grandes olhos azuis. – Você já beijou alguém na boca? Ou… já pegaram nos seus peitos por baixo da blusa?…- disse lentamente, encarando-a. – Sabe, sem sapatos… rezando pros seus pais não aparecerem, – disse enquanto Bulma agitava-se e os olhos brilhavam em lágrimas. – Tirando a calcinha… sem calcinha… sem sutiã… a blusa desabotoada e a calça jeans esparramada no chão…

– Deixa ela em paz! – Goku se meteu ao ver que amiga estava quase chorando.

– Você vai me obrigar? – Vegeta perguntou perigoso.

– Vou. – Goku respondeu levantando-se e encarando o outro.

– Você e qual exército?

– Só eu. – Goku respondeu sem medo. – Só eu e você. Aposto que só são duas batidas, eu bato em você e você bate no chão.

– Quando você quiser… – Vegeta desafiou levantando os punhos.

– Ei, caras, vamos nos acalmar… – Kuririn falou ao levantar-se e colocar-se entre os dois rapazes que se encaravam. – Nada de brigas, A gente pode se ferrar pra cacete se vocês dois brigarem aqui.

– Pois bem, nada de briga. – Goku falou ainda encarando Vegeta. – Mas, escute bem, você não fala com ela, você não olha pra ela e nem sequer pensa nela!

Vegeta fez cara de desdém e voltou para o seu lugar. Goku e Kuririn fizeram o mesmo e voltaram a ficar em silêncio.

Eram 11:30 quando o professor voltou a biblioteca.

– Moças, hora do almoço. Podem ficar a vontade. – O professor anunciou.

– Nós vamos almoçar aqui? – Bulma perguntou indignada. – Não é apropriado. Nem temos o que beber… Estamos com muita sede…

– É estamos mesmo. – Goku e Kuririn concordaram instintivamente.

– Não podemos passar o dia todo aqui com sede. Eu desidrato muito rápido. – Bulma protestou.

– Verdade, eu já vi ela desidratar, é horrível. – Goku disse fazendo drama.

– Está bem. – Mr. Satan disse convencido. – Vou permitir que saiam. Mas só DOIS de vocês. Ou acham que eu ia deixar vocês vadiarem pelos corredores? – ele falou cortando os risinhos de alegria. – Deixa eu ver quem escolho… – Você! – falou apontado para Goku, – e… – disse pensativo enquanto olhava para Goku apontando freneticamente para Bulma. – Você! – falou apontando para Chichi no final da sala. Goku ficou extremamente desanimado. – Vão até o bebedouro próximo à sala de audiovisual. Vocês têm quinze minutos. – o professor anunciou antes de sair.

***

– Você poderia ser mais rápida? – Goku perguntou sem paciência para Chichi que tentava seguir seus passos rápidos pelos corredores. – Se demorarmos muito aquele maluco nos deixa o dia todo sem água.

– Já tô indo… – Chichi respondeu tentando alcançá-lo. – Eu não sou atleta como você. Aliás, como é ser um atleta? – ela perguntou quando alcançaram o bebedouro parando e encarando o chefe da equipe de luta pela primeira vez na vida.

– É como ser um cavalo de corrida. – Goku explicou, de repente com um pouco amargura. – Todos só me admiram por que sou forte e rápido como um cavalo de corrida. E é assim que eu me sinto.

Chichi apenas o encarou de volta, nunca pensou que um dia sentiria pena daquele rapaz.

***

– Sabe o que eu queria estar fazendo? – Bulma indagou enquanto esperavam os amigos trazerem a água.

– Cuidado com o que vai dizer, o baixinho aqui ainda é virgem… – Vegeta disse com deboche olhando para Kuririm.

– Eu não sou virgem! – Kuririn retrucou envergonhado.

– Ah, é? – Vegeta desdenhou. – Me diga uma então.

Kuririn apontou com a cabeça para Bulma, a garota não viu. Vegeta achou graça.

– Ah, você e Bulma transaram? – ele perguntou alto chamando a atenção da garota.

– Tão falando de que? – Bulma indagou ainda sem entender.

– Ele disse que transou com você. – Vegeta apontou maldosamente para um assustado Kuririn.

– O QUÊ? – Bulma perguntou irada. – É mentira desse baixinho imbecil!

– Eu não queria dizer isso… – Kuririn retrucou sem jeito.

– Então por que apontou pra garota? – Vegeta indagou desafiador.

– Por que eu não queria que você soubesse que eu sou virgem. – Kuririn confessou envergonhado.

– Acho legal ser virgem… – Bulma sorriu encorajadoramente para Kuririn enquanto abria seu lanche sobre a carteira.

Kuririn olhou para Bulma agradecendo.

Vegeta estreitou os olhos para o almoço da colega, muito interessado.

– O que tem aí? – ele indagou curioso.

– Meu almoço. – Bulma respondeu sem interesse. – E você, onde está seu almoço?

– Dentro da sua roupa. – Vegeta retrucou malicioso.

– Você é nojento, sabia? – Bulma retrucou aborrecida terminando de arrumar seu almoço sobre a mesa.

– O que é isso? – Vegeta perguntou apontando para o almoço da garota.

– É sushi. Não conhece? – Bulma indagou com os dois pauzinhos a meio caminho da boca. – É arroz, peixe cru e alga. – explicou.

– Quer dizer que você não deixa um cara enfiar a língua na sua boca, mas come uma porcaria dessas? – Vegeta perguntou incrédulo.

– Ah, cala boca. – Bulma retrucou sem paciência voltando-se para seu almoço.

Vegeta olhou em volta. Kuririn abria seu almoço sobre a mesa: Coca, suco de caixinha e alguns sanduíches.

– Eu fico com isso, baixinho, – Vegeta disse ao tomar a coca e dois sanduíches de Kuririn. O careca não disse nada, estava morrendo de medo.

***

Goku e Chichi voltaram com a água e todos terminaram seus almoços.

A hora do almoço passou e todos estavam em suas carteiras quando Vegeta provocou Goku novamente.

– Ei, campeão, o papaizinho está contente de você ter ficado de detenção? – falou zombeteiro. – Soube que ele não aceita que você perca as lutas. Deve ser muito emocionante ter o papaizinho segurando sua mão todos os dias… – disse levantando-se e encarando Goku que estava sentado em sua carteira.

– Não fale do meu pai. – Goku falou entre dentes.

– Por que não? – Vegeta provocou. – por que você não gosta que todos saibam que é o filhinho do papai… Que só faz o que ele quer… Que não tem vida e objetivos próprios.

Foi muito rápido. Goku levantou-se e pegou Vegeta pelo colarinho. Estava possesso.

– MEU PAI NÃO MANDA NA MINHA VIDA! – disse furioso fazendo Bulma e Kuririn levantarem-se assustados. – Repita isso e quebro seus dentes.

– Você devia era se orgulhar disso, campeão. – Vegeta disse calmo e Goku o soltou.

– Por quê? Por que eu deveria me orgulhar, se você é o primeiro a zombar disso? – Goku jogou na cara. – Não é você que é o independe que cuida da vida sozinho sem precisar de seus pais pra nada? Não é você que é o grande adulto daqui? Sua vida familiar deve ser fantástica…

– Ah, sim, minha vida familiar é fantástica. – Vegeta disse sarcasticamente. – Meu pai é muito atencioso… Olhe aqui, – falou levantando a manga da camisa e revelando uma feia queimadura de charuto no antebraço. – Isso aqui é o que acontece na minha casa quando alguém deixa cair tinta no chão da garagem.

Goku olhou a marca feia no braço do colega e sentiu um pouco de pena.

– Eu não sabia… – falou em tom de desculpas.

– E você se importa? – Vegeta indagou amargo. – Alguém se importa? Não foi você que disse que eu podia sumir que ninguém sentiria minha falta. Quer saber? Eu não preciso ficar aqui com vocês, babacas!

Dizendo isso, Vegeta sai a passos largos da biblioteca.

– Você não devia ter dito aquilo… – Bulma disse com um pouco de pena do garoto que saiu.

– Como eu ia saber? – Goku defendeu-se. – Esse maluco vive mentindo…

***

Passaram-se dez minutos e Vegeta não retornara.

– Vocês sabem onde ele foi? – Kuririn perguntou preocupado.

– Não tenho a mínima ideia. – Goku respondeu muito sério.

– Devíamos ir atrás dele. – Bulma sugeriu, tinha o semblante preocupado.

– Você enlouqueceu? – Goku perguntou abismado.

– Deveríamos ir sim. – Bulma insistiu. – Ele pode estar aprontando por aí e pode jogar a culpa na gente…

– Fora que você tem culpa por ele ter saído… – Chichi falou de sua carteira e Goku olhou-a surpreso.

– Está bem, vamos atrás dele. – Goku concordou. – Mas vamos todos. Eu não quero levar a culpa sozinho.

Bulma e Chichi levantaram-se junto com Goku. Kuririn permaneceu sentado.

– Você não vem? – Goku perguntou.

– Podemos nos complicar. – Kuririn falou receoso.

– Deixa de ser covarde! – Chichi falou pro colega.

– É mesmo. – Bulma concordou com a estranha. – Anda, vamos. Você não quer respeito? Tem que arriscar…

Kuririn levantou-se receoso e acompanhou os colegas.

***

– Café… Um café… A gente faz qualquer coisa por um café… – Mr. Satan resmungava enquanto andava pelos corredores sem perceber os quatro vultos que se esconderam dele atrás de um dos armários de metal.

– Ah, essa foi por pouco. – Bulma disse com um suspiro quando o professor sumiu por outro corredor.

– Pra onde será que o Vegeta foi? – Kuririn perguntou aos colegas.

– Sinceramente, nem sei por onde começar. – Goku disse desanimado.

Contudo, mal terminaram de se reclamar, Vegeta apareceu correndo pelo corredor. Acabara de fugir da visão de Mr. Satan também.

– Onde você estava? – Bulma perguntou preocupada quando o rapaz se aproximou. Ele olhou impressionado pela reação dela.

– Estou indo pro meu armário. – Vegeta respondeu simplesmente.

– O que vai fazer no seu armário? – Goku perguntou meio sem jeito.

– Buscar diversão. -Vegeta disse com um sorriso maldoso que selava a paz novamente entre ele e o capitão da equipe de luta. Ele não imaginava que os colegas iriam procurá-lo.

Então, os cinco esgueiraram-se pelo corredor até chegar a um armário com uma inscrição pichada em vermelho:

Mexa se quiser morrer, verme”

Todos ficaram impressionados quando Vegeta abriu o armário, havia de tudo ali. Até livros.

Havia revistas, instrumentos musicais, roupas. Fotos de várias garotas coladas na porta, todas com calorosas dedicatórias. Algumas delas quase nuas nas fotos, Bulma não pôde deixar de notar.

Vegeta pôs a mão no fundo do armário e tirou uma garrafa.

– O cara tem Vodka. – Kuririn disse temeroso ao ver a garrafa de líquido límpido que Vegeta pôs dentro do casaco jeans.

– Não podemos levar isso. – Goku disse sério.

– É, aí não seria punição. Seria expulsão. – Bulma falou temerosa.

– Quem liga? – Vegeta disse desdenhoso.

– Pessoal… – Chichi começou. – Desculpa atrapalhar a discussão, mas vocês não estão ouvindo passos?

Todos estacaram. Mr. Satan se aproximava e logo dobraria naquele corredor.

– Vamos pelo laboratório! – Bulma falou rápido enquanto Vegeta fechava o armário.

Começaram a correr desabaladamente.

– Se o Satan pegar a gente a culpa é sua! – Goku gritou para Vegeta enquanto corriam.

Após atravessarem o laboratório, estacaram em uma bifurcação. Poderiam seguir por dois caminhos para a biblioteca, mas só podiam escolher um.

– Vamos pelo refeitório. – Vegeta disse. – é mais perto. Ele não nos pegará.

– Não. Vamos pelo ginásio. – Goku falou apontando para a outra direção.

– Vamos pelo refeitório logo! – Vegeta insistiu.

– Pelo ginásio é mais perto! – Goku insistiu novamente e todos assentiram pela ideia dele.

Saíram correndo na direção do ginásio e Vegeta teve que lhes acompanhar.

Eles correram muito, mas quando chegaram ao ginásio, a grade estava fechada com cadeado. Mr. Satan logo passariam por ali.

Estavam encurralados.

– Que merda! – Goku resmungou batendo na grade fechada.

– A gente devia ter ouvido o Vegeta. – Kuririn ralhou.

– Estamos perdidos! – Bulma reclamou. – E agora?

– Voltem para a biblioteca pelo caminho do refeitório. – Vegeta disse rapidamente. – Vou distraí-lo. Guarde isso, baixinho. – falou dando a garrafa de vodka para Kuririn.

Nisso Vegeta saiu correndo na direção do corredor onde Mr. Satan estava. Gritava e socava os armários de metal com força.

Todos correram pelo caminho de volta. Estavam intimamente preocupados com Vegeta.

***

Satan ouviu a gritaria e as batidas nos armários.

– Grr… O que aqueles moleques estão aprontando agora? – resmungou zangado apressando os passos na direção do barulho.

Ficou vermelho de raiva ao dobrar o corredor e ver Vegeta que estacou ao ver o professor.

– Ah, tinha que ser você! – ele disse irritado para o adolescente. – Eu já estou cansado de você!

– Olá querido professor. – Vegeta disse sarcástico olhando-o.

– Tudo pra você é uma piada, moleque! – Satan falou aproximando-se e pegando com força no braço de Vegeta. – Como o alarme falso que você fez soar na sexta… Venha comigo!

– Tire suas mãos nojentas de cima de mim! – Vegeta rosnou ao ser agarrado pelo braço.

– Não reclame ou mando expulsá-lo do colégio. – o professor falou arrastando Vegeta até uma porta no corredor, era um pequeno almoxarifado. Ele abriu a porta e jogou o rapaz lá dentro.

– Vai passar o resto do dia preso aí. – falou após jogar Vegeta no quarto.

– É crime manter alunos em cárcere privado. – Vegeta protestou.

– Ninguém vai saber… – Satan disse satisfeito.

– E se eu contar? – Vegeta ameaçou.

– Ah, acha que vão acreditar em um delinquente? Acha que vão acreditar em você além de mim? – disse furioso. – sabe de uma coisa acho que vou acabar com você… O professor disse tirando o paletó e colocando-se em posição de briga. Venha, deixo você bater primeiro. Você diz que é forte, eu quero ver. – provocou. – Vem! Me dá um soco! Só um soco, eu tô pedindo.

Vegeta não fez nada. Sabia que era isso que o professor queria. Que ele perdesse o controle e o atacasse, assim teria motivos para expulsá-lo. Por isso, ficou quieto e calado, não reagiu as provocações, mesmo com a imensa vontade que estava de partir a cara do maldito professor.

– Você não passa de um maricas… – Satan disse ao observar que o rapaz não reagiria. Saiu fechando a porta à chave.

Quando ficou sozinho no pequeno almoxarifado, Vegeta olhou em volta e viu uma saída de ventilação. Com um pulo conseguiu arrancar a grande grade da tubulação de ar e esgueirou-se para dentro dela.

Engatinhou pela tubulação que era sua velha conhecida nas fugas do colégio. Dez minutos depois saía pela entrada de ventilação da biblioteca, tirando a grade de forma barulhenta e assustando os quatro colegas que o aguardavam sentados em suas carteiras.

– Esqueci meu lápis. – Vegeta disse zombeteiro quando todos o olharam sair do duto de ventilação. Ele levantou e andou, parando ao lado da carteira de Bulma.

Naquele momento eles escutaram a porta abrindo e Vegeta abaixou-se escondendo-se embaixo da mesa da carteira de Bulma, tinha a cabeça entre as pernas da garota. Ao olhar pra frente, ele teve uma estonteante visão da calcinha branca de rendas da garota entre as pernas dela.

– O que está acontecendo aí? – Satan indagou ao abrir a porta da biblioteca. – Ouvi um barulho…

– Ai! – Bulma gritou ao sentir algo tocando em sua calcinha.

Mr. Satan percebeu o grito da garota e olhou para Bulma desconfiado. Para disfarçar, a garota começou a tossir.

– Foi apenas Bulma tossindo, professor. – Goku explicou temeroso. – Ela está com muita tosse hoje.

– Procure um médico, garota. Isso não é normal. – Satan disse saindo novamente da biblioteca.

Quando o professor deixou todos a sós novamente, Vegeta saiu debaixo da carteira de Bulma, levando um soco no braço, dado pela garota.

– Você tocou em mim, seu pervertido! – ela reclamou.

– Foi um acidente! – ele disse olhando-a com malícia.

– Você é uma babaca… – Goku interferiu.

– Me processa… – Vegeta disse desdenhoso indo até Kuririn. – Me dá minha vodka. – ordenou mal-educado.

– É melhor não. – Kuririn falou receoso.

– Vamos logo, baixinho. – Vegeta disse sem paciência tomando a Vodka das mãos do garoto

– Alguém vai querer? – Vegeta perguntou caminhando para o fundo da biblioteca.

Bulma olhou para Goku e ele mexeu a cabeça em negação. Mesmo assim ela se levantou e acompanhou Vegeta.

Kuririn também levantou-se e Chichi faz o mesmo.

– Merda! – Kakkarotto exclamou irritado levantando-se também.

***

Quarenta minutos depois todos já estavam meio ébrios sentados no chão ao fundo da biblioteca.

Era só meia garrafa de vodka e eles estavam passando de mão em mão, mas já se sentiam leves e contentes.

Vegeta acendeu um cigarro e passou para Bulma que pôs na boca e tentou fumá-lo, engasgando-se. O rapaz sorriu para a garota e ela sorriu devolta.

Ficaram em silêncio um bom tempo, foi Bulma quem falou primeiro.

– Sabe, eu sou muito popular. – Ela disse já um pouco alta. – Eu sou muito popular. Todos gostam de mim nessa escola.

– É gostam, pra fazer bebês… – Kuririn zombou. A bebida tinha lhe feito perder um pouco da vergonha.

– Toca aqui! – Goku disse rindo da piada batendo na mão de Kuririn.

Todos riram também, até Bulma.

Depois disso, Goku, que também já estava meio alto, se levantou e começou a fazer cambalhotas no ar enquanto era observado por Chichi.

Já Bulma havia pegado a carteira de Vegeta e agora olhava as várias fotos de garotas que haviam ali.

– Todas são suas namoradas? – Bulma perguntou meio enciumada.

– Algumas considero namoradas, outras só considero. – Vegeta disse despreocupado tomando outro gole de vodka.

– Você não considera uma relação a dois? – ela perguntou curiosa. – Já que sai com todas as garotas…

– Eu apenas não jogo nada fora. – Vegeta respondeu olhando-a intensamente.

Bulma devolveu a carteira um pouco envergonhada.

Do outro lado, Goku sentara ao lado de Chichi enquanto a garota abria a bolsa e mostrava algumas coisas para Kuririn.

– Por que anda com uma bolsa tão grande e com tanta tralha dentro? – Goku perguntou curioso.

– Nunca se sabe quando se quer dar o fora. – Chichi respondeu simplesmente.

– Você daria o fora da sua vida assim, sem mais nem menos? – Goku perguntou impressionado.

– Sim, eu poderia ir pra qualquer lugar. – ela respondeu um pouco triste. – Qualquer lugar seria melhor que a minha casa…

– Quer dizer que você largaria tudo só por que não gosta da sua casa? – Goku indagou impressionado. Estava chocado com a garota. Ele mesmo não tinha essa coragem, não tinha coragem nem de enfrentar seus pais.

– Anran. – Chichi confirmou e os dois sorriram um para o outro.

– Você não carrega isso por que vai fugir. – Bulma disse ao ouvir a conversa dos colegas. – Carrega pra que os outros pensem que vai fugir… Você só quer chamar atenção…

– Vai à merda! – Chichi indagou com raiva levantando-se e indo para um canto.

Goku levantou-se e a seguiu.

***

– Quer conversar? – Goku perguntou ao se aproximar da colega que estava enxugando os olhos em um canto.

– Vai embora! – Chichi gritou com raiva.

– Você é cheia de problemas, sabia? – Goku indagou ofendido.

– Você que é cheio de problemas! – Chichi retrucou. – Você deixa seu pai fazer o que quer com a sua vida!

– Mas não fui eu quem despejou os problemas pra todos participarem… – ele disse irônico.

Chichi começou a chorar.

– Ah, desculpa! – Goku falou vendo a besteira que fizera. – Fala, o que foi? É sério sobre a sua casa?

– É. – Chichi respondeu enxugando as lágrimas.

– O que acontece lá? O que fazem com você? – Goku perguntou preocupado.

– Eles me ignoram. – Chichi revelou com amargura na voz.

***

Vinte minutos depois, após uma conversa demorada sobre seus problemas com os pais, Goku e Chichi sentaram-se novamente perto dos outros. A garrafa de vodka já estava vazia.

– O que vocês fariam por um milhão? – Kuririn indagou de repente.

– Eu acho que o mínimo possível. – Goku respondeu ainda olhando Chichi.

– Que chatice! – Vegeta exclamou.- Pensa em alguma coisa maior! Pensa no limite do que você faria…

– Sei lá… acho que viria nu para a escola. – Goku disse depois de pensar um pouco.

Todos riram.

– E você, garota? Faria o quê? – Bulma perguntou para Chichi, desafiante.

– Faço tudo que envolver sexo. – Chichi falou com segurança fazendo todos olharem-na impressionados. – Eu já fiz de tudo em matéria de sexo. – ela continuou confiante – com exceção de algumas coisas ilegais… Eu só ninfomaníaca.

– É nada. – Bulma disse descrente.

– Seus pais sabem disso? – Kuririn perguntou impressionado.

– Não. Só meu psiquiatra. – Chichi respondeu despreocupada.

– Contou isso pro seu psiquiatra? – Bulma indagou impressionada. – E o que ele fez quando contou?

– Meteu em mim. – Chichi disse com segurança.

– Isso é ilegal… – Bulma resmungou achando aquilo um absurdo.

– Do ponto de vista legal, não acho que ele tenha me violentado por que paguei a consulta. – Chichi falou com naturalidade.

– Ele é um adulto! – Bulma exclamou chocada.

– E é casado. – Chichi completou.

– Peraí, na boa, você não acha isso indecente pra caramba? – Bulma indagou enquanto a conversa era observada pelos três rapazes estarrecidos.

– Nas primeiras vezes… – Chichi comentou.

– Primeiras vezes? Quer dizer que ouve mais? – Bulma indagou indignada. – Você é maluca!

– Por quê, por que eu transo com meu psiquiatra? – Chichi procoou. – E você Bulma, ao menos já transou?

– Eu nem tenho psiquiatra. – Bulma desconversou.

– Já transou com uma pessoa normal então? – Chichi perguntou provocativa.

– Eu já falei sobre isso… – Bulma falou irritada.

– Mas nunca respondeu a pergunta. – Vegeta provocou intrometendo-se.

– Eu não falo da minha vida pessoal com desconhecidos. – Bulma disse virando o rosto.

– É uma faca de dois gumes… não é? – Vegeta continuou. – Se disser que fez é uma puta, se disser que não fez é uma puritana. Você quer e não pode e quando transa deseja não ter transado. E você gosta de provocar… – ele acusou.

– Eu não gosto! – Bulma disse indignada.

– Gosta sim. – Até Goku confirmou.

– Provoca sim, é claro que você provoca. – Kuririn complementou.

– Por que não me deixam em paz? – Bulma perguntou quase às lágrimas.

– Mas você provoca mesmo. – Goku insistiu.

– Ela só provoca para deixar o cara excitado. – Vegeta interou.

– EU NÃO PROVOCO!

– Admite que você gosta de provocar. – Vegeta cutucou maldosamente. – Você usa o sexo como arma.

– EU NUNCA DISSE ISSO! – Bulma falou aos prantos.

– Pois então responde logo a pergunta. – Vegeta insistiu.

– É responde. – Chichi também disse.

– Vamos, Bulma, responda. – Goku completou.

– TÁ BOM! – Bulma gritou sem aguentar a pressão dos colegas. – EU NUNCA TRANSEI!

Eu também não. – Chichi falou calmamente. – Eu não sou ninfomaníaca. Sou mentirosa compulsiva. – disse com um sorriso maldoso.

– Você é uma filha da puta! – Bulma protestou indignada por ter caído na armação da outra garota.

– Acalme-se Bulma. Você tá assim por que foi enganada. – Goku disse rindo.

Ele, Vegeta e Kuririn ainda riam muito do desfecho daquela conversa.

– Essa garota que é anormal. – Bulma resmungou.

– Todos nós somos. – Goku admitiu. – Eu não penso por mim mesmo. Querem saber por que tô aqui? Por que preguei uma peça com um cara mais fraco só pra agradar meu pai. Meu pai não quer perdedores na família.

– Seu pai e o meu deviam se conhecer e marcar um jogo de boliche. – Vegeta ironizou.

– Eu estou aqui por causa das minhas notas. – Kuririn falou depois. – Tirei uma nota baixa em trabalhos manuais e fui reprovado. E me inscrevi em trabalhos manuais por que achei que ia ser fácil, pois só os idiotas fazem essa matéria…

– Hey, eu faço essa matéria, baixinho. – Vegeta avisou irritado.

– Eu odeio essa matéria. É algo que não sei fazer. – ele suspirou e continuou.

– Todos sabem fazer alguma coisa melhor que os outros. – Bulma disse para Kuririn. – Você não é obrigado a saber de tudo.

– Você… O que você sabe fazer melhor que os outros? – Vegeta perguntou provocativo para Bulma.

– Eu? Eu sei fazer uma coisa que os outros não sabem. – Ela disse pensando.

– E o que é? – Vegeta perguntou interessado.

– Ah, é algo idiota. Vocês vão rir. – ela disse envergonhada.

– Não vamos. – Vegeta disse sério.

– Tá bom, – Bulma falou abrindo a bolsa. – Mas não vão rir!

– Eu não tô acreditando que vou fazer isso. – ela disse pegando o batom vermelho na bolsa e colocando no decote entre os dois seios.

Todos observaram ela abaixar a cabeça e passar o batom nos lábios sem usar as mãos, Bulma usou apenas os seios como apoio pro batom.

– Tcharam! – Ela disse quando terminou.

Kuririn, Goku e Chichi sorriram e bateram palmas.

– Nossa, que incrível, você subiu no meu conceito! – Vegeta disse com desdém, batendo palmas e zombando da garota.

Bulma murchou rapidamente ao ouvir aquilo.

– Você não vale nada… – Goku repreendeu o colega ao ver que a amiga ficara chateada.

– Você jurou que não ia rir! – Bulma disse chateada para Vegeta.

– Você é patética. – Vegeta disse de volta. – Não pense que a escola vai fechar se você não viesse, princesinha.

– Cala a boca! – Bulma retrucou caindo no choro.

– Cala a boca você! – Vegeta replicou sem pena. – Vá chorar para o seu pai e não aqui!

Bulma não disse mais nada e continuou chorando silenciosamente. Vegeta a olhava num misto de satisfação, raiva e vontade de pedir desculpas. Essa última parte é claro que não cumpriria.

– Hey, pessoal, será que continuaremos sendo amigos? – Kuririn falou para quebrar a tensão. – Eu sei que a hora não é boa, mas quero saber se quando segunda-feira continuaremos sendo amigos. Eu já considero vocês como amigos, ou estou errado?

– Continuar sendo amigos? – Bulma replicou ainda chorando. – Não somos amigos nem agora, se quer saber a verdade.

– Você está sendo muito antipática, Bulma. – Goku disse ao ver que Kuririn ficara chateado.

– Qual é, Goku? – Bulma recomeçou com raiva. – Quero ver se Kuririn vier falar com você na segunda-feira na frente de todo mundo, se você fala com ele… – desdenhou. – Você vai falar um “Oi” e virar as costas e depois vai falar mal dele pros seus amiguinhos.

– E se eu for falar com você? – Kuririn perguntou a Bulma.

– Vou fazer a mesma coisa. – a garota disse com despeito.

– Você não passa de uma vadia… – Vegeta disse com raiva.

– Por quê? Por que eu tô falando a verdade? – Bulma indagou enraivecida. – Por que você não leva o Kuririn pra uma das suas festas de rock? – disse enfrentando o colega. – E o que os seus amiguinhos drogados iam dizer se vissem a gente juntos na escola? Você ia dizer que tava indo pra cama comigo pra eles te desculparem. – Você não sabe nada meus amigos, por isso não fale deles! – Vegeta replicou perigosamente. – Você só sabe de batons, esmaltes, o seu BMW e da sua mãe alcoólatra…

– Foda-se! – Bulma retrucou encarando-o, os olhos voltando a marejar.

– Se sua preocupação é que as pessoas nos vejam juntos, não se preocupe por que isso nunca vai acontecer. – Vegeta completou com desprezo.

– Eu odeio você! – Bulma retrucou e voltou a chorar copiosamente.

– Ótimo. – Vegeta disse encerrando a discussão.

– Eu presumo então que eu e Chichi somos os melhores daqui, – Kurirrin interpelou tristonho. – Somos os estranhos… Você faria comigo isso que eles disseram? – O careca perguntou para Chichi.

– Claro que não. – Chichi replicou calmamente. – Eu nem tenho amigos… E se tivesse eu não faria isso, e não vou fazer por que não acho isso legal.

– Kuririn, os seus amigos querem ser como a gente… – Bulma se meteu.

– Você é tão convencida! – Kuririn disse pra Bulma. – Faz qualquer coisa pra impressionar suas amigas patricinhas!

– Eu não sou assim! – Bulma retrucou ofendida. – Eu detesto fazer o que meus amigos querem… – Confessou. – Vocês não entendem… Vocês não entendem a pressão que eles fazem na gente que é popular…

– Pois você sabe o que eu diria pra eles? – Kuririn indagou. – Vão se fuder! A gente só se dá mal por querer impressionar os outros. E querem saber de verdade por que eu tô aqui hoje? Eu não tô aqui apenas por que tirei uma nota baixa, eu tô aqui por que o Mr. Satan achou um revólver no meu armário!

– E por que tinha um revolver lá? – Bulma perguntou assustada.

– É, o que ia fazer com o revolver? – Kakkarotto interrogou também interessado.

– Por que eu tirei um zero… – Kuririn falou. – E nunca tinha tirado um zero… Então considerei todas as alternativas…

– Se matar não é uma alternativa… – Bulma disse ainda assustada.

– Mas, eu considerei. Só que fui tão burro que deixei a arma destravada e ela disparou sozinha no meu armário. – Kuririn disse rindo do próprio problema.

Todos sorriram também.

– E querem saber o que eu fiz? – Chichi indagou. – Nada! Eu não tinha nada melhor pra fazer! – falou achando graça.

Todos riram novamente, só que agora com mais vontade.

Querendo ou não eles acabaram ficando amigos. E brigaram mais um pouco, e conversaram muito até faltar meia hora para o final da detenção.

– Kuririn, acho que você devia fazer nossa redação. – Bulma disse quando eles se levantavam pra voltar para seus lugares.

– Por que eu? Cada uma deve fazer a sua.

– Não tem por que todo mundo fazer. – Bulma replicou. – Todo mundo iria escrever a mesma coisa.

– É, a gente confia em você. – Kakkarotto disse amigavelmente. – Eu te ajudo.

– Tá, eu faço. – Kuririn concordou orgulhoso.

– Legal! – Bulma exclamou olhando para Chichi, sentindo simpatia agora pela amiga. – Sabe, enquanto vocês fazem a redação, vou conversar uma coisa aqui com a minha nova “amiga”. Vem comigo! – disse pegando Chichi pelo braço e puxando-a para um banheiro que havia na biblioteca.

***

Bulma levou Chichi até o pequeno banheiro, abriu sua nécessaire abarrotada e começou a maquiar a amiga, Chichi estava relutante, mas aceitou.

– Sabia que você fica bem mais bonita assim? – Bulma disse quando terminou e mostrou o resultado no espelho. Chichi estava lindíssima, com os lábios vermelhos, um blush rosado e os olhos maquiados.

– Por que você tá sendo legal comigo? – Chichi perguntou surpresa.

– Por que você tá deixando. – Bulma respondeu sorrindo.

Nisso, ela levou Chichi de volta para a biblioteca e ficou muito contente quando viu Goku arregalar os olhos impressionado ao ver Chichi arrumada. Chichi jeitara também os cabelos e tirara o grosso pullôver de lã, ficando apenas com uma bela camiseta lilás.

– O que aconteceu com você? – Goku perguntou ao ver como Chichi estava bonita.

Por quê? – Chichi perguntou envergonhada.

– Por nada. – Kakkarotto admitiu sorrindo para a garota. – Você tá diferente…

Isso é bom ou ruim? – Chichi indagou insegura.

– É bom. – Goku respondeu charmoso. – Agora dá pra ver o seu rosto, disse aproximando-se mais dela.

Ali perto Bulma observou o casal se aproximar enquanto Kuririn em um canto fazia a redação. De repente a garota pensou em Vegeta e lembrou que aquela hora, ele só poderia ter retornado ao quarto onde ficara de castigo.

Então, ela da biblioteca e começou a procurar Vegeta nos almoxarifados do corredor, tomando cuidado para que Mr. Satan não a encontrasse.

Bulma não estava acreditando que estava arriscando o pescoço pra conversar com aquela traste que lhe maltratara o dia todo, um traste que ocupava agora toda a sua atenção.

Então, ela finalmente encontrou a porta do almoxarifado que estava trancada à chave, o que não foi problema pra a garota. Bulma era muito inteligente, um gênio. Ela simplesmente pegou um grampo que tinha no cabelo e em questão de segundos abriu a porta.

– Se perdeu? – Vegeta perguntou surpreso quando a viu à porta. Ele estava sentado no chão e recostado na parede. Tentava esconder sua surpresa em ver a princesa ali.

Bulma apenas se aproximou sem dizer nada. Agachou-se frente a frente com ele e fez o que ambos queriam fazer o dia todo: o beijou.

Sem acreditar, Vegeta passou as mãos em volta da cintura da garota e sentou-a em seu colo, beijando-a sofregamente por muito tempo.

– Por que fez isso? – ele perguntou arquejante quando pararam de se beijar.

– Era o que você faria. – Bulma respondeu meio envergonhada. – Vegeta, você achou mesmo idiota o que eu fiz com meu batom? – perguntou preocupada.

– A verdade? Não. – Ele admitiu e ela sorriu em resposta.

– Bem, você quer ir a festa do Yancha comigo essa noite? – a garota perguntou contente.

– Acho que não, eu não suportaria ficar muito tempo com seus amiguinhos playboys. – ele falou em tom zombeteiro pegando numa mecha de cabelo da garota. – Acho que aguentar você e o bocó da equipe de luta já é o meu limite.

– A gente vai, mas não precisa ficar lá. – Bulma disse com um sorriso malicioso.

– Então assim… – Vegeta disse agarrando-a para mais um beijo.

A última hora passou e às dezessete horas Mr. Satan liberou os cinco alunos infratores.

Quando Chichi saiu do colégio, vestia o casaco da equipe de lutas que Goku lhe emprestara. Eles se beijaram levemente, e prometeram encontrar-se na segunda-feira. Em seguida, cada um entrou no carro de seus pais.

Kuririn veio logo atrás, muito satisfeito de ter entregue a redação ao professor. Ele também entrou no carro de seu pai que já o esperava.

Por último, surgiram Bulma e Vegeta que levaram muito tempo para se separar dos beijos quentes na entrada do colégio. Antes de se despedirem, a garota tirou um de seus brincos de diamante e colocou na mão de Vegeta, fazendo-o prometer que se encontrariam aquela noite.

Depois, Bulma entrou no carro de seu pai que observava o tipo mal encarado que beijara sua filha instantes antes. O Sr. Briefs não disse nada e deu partida, Bulma observou Vegeta ir embora a pé enquanto o carro de seu pai se afastava.

Vegeta caminhou contente pelos gramados do colégio, aquela havia sido a primeira detenção que valera a pena na vida. O rapaz agora tinha um motivo a mais para voltar aquele lugar.

Enquanto isso, dentro do colégio Mr. Satan cuspia seu último café do dia ao ler a redação conjunta construída pelos cinco alunos.

“Caro Sr. Satan, aceitamos o fato de que nós tivemos que sacrificar um sábado inteiro na detenção pelo que fizemos de errado… mas acho que você está louco para nos fazer escrever um texto dizendo o que nós pensamos de nós mesmos. Você nos enxerga como você deseja nos enxergar… Em termos mais simples e com as definições mais convenientes, o que descobrimos é que cada um de nós é um cérebro… um atleta… um caso perdido… uma princesa… e um criminoso…

Isso responde a sua pergunta?

Atenciosamente, Os cinco.

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Então pessoal, o que acharam da adaptação? Deixem suas impressões! Abraços. Lady R. ^^